Com muito estilo... assim caminha a humanidade

Sob coordenação da jornalista Perla Nahum, Sapatos - Crônica de Uma Sedução conta a história do mais básico, e cobiçado, acessório fashion do século 20

Flávia Guerra, O Estadao de S.Paulo

16 de julho de 2008 | 00h00

Marilyn Monroe dizia: ''Não sei quem inventou o salto alto, mas toda mulher deve muito a ele.'' Do alto dos saltos que a imortalizaram como uma das mulheres mais sexy do século, ela sabia do que estava falando. Metonímia da personalidade, os sapatos definem e resumem quem os usa. Marylin só não sabia que os saltos foram justamente inventados para proteger os pés de quem andava pelas ruas empoeiradas de séculos atrás. Não sabia também que, hoje, os saltos não são a única exclusividade quando uma mulher quer desfilar elegância e sensualidade. Sandálias rasteirinhas, tênis, sapatilha, coturno podem fazer maravilhas em um visual.Depois de passarem séculos amordaçados em bottines, ganharem uma leitura sexy nos anos 20, uma cara sisuda e pragmática nos anos de Guerra, voltarem ultra-femininos no pós-Guerra, ganharem cor, praticidade, atitude a partir dos anos 50, hoje os sapatos literalmente podem tudo. De meia-patas a escarpins, de mules a crocs, passando pelas já mundiais Havaianas, os calçados são ítens cada vez mais básicos e, ao mesmo tempo, mais ''fetiche'' no universo fashion. Exemplo? Na capa do já clássico O Diabo Veste Prada, em vez de um look, é um escarpin vermelho ''com salto de tridente'' que define o visual do filme.Para quem quer entender melhor como a humanidade tem caminhado ao longo das últimas décadas, Sapatos - Crônica de Uma Sedução 1900 - 2008 é um belo guia. Idealizado para o público especializado, o livro está despertando tanto interesse que deve chegar ao público neste segundo semestre. Com edição da Francal, terá distribuição exclusiva da Livraria Cultura. Sob a coordenação da jornalista Perla Nahum, o livro traça linhas do tempo e do estilo que fizeram a história do sapato. Para dividir com ela a tarefa, Perla convocou uma equipe de especialistas. Além de Fernando de Barros, que, in memoriam, abre a publicação com um tratado sobre a porção Cinderela de cada mulher. ''O mundo está cheio de mulheres poderosas, com histórias ligadas aos sapatos'', afirma ele, que coordenou a primeira edição de Sapatos, em 1991. ''Nesse ano, a Francal, uma das maiores promotoras de eventos de negócios da América Latina, comemorava 23 anos e o livro foi encomendado a Fernando, com quem trabalhei, viajei muito e aprendi mais ainda'', conta Perla. ''A segunda edição ficou a meu cargo. Quem quiser saber mais sobre como adquiri-lo, pode ligar para (11) 2226-3122. E não poderia ser aberta com outro texto senão o do Fernando. Ele foi um mestre, conhecedor profundo da alma feminina. Amado, sedutor e cúmplice, como o sapato de Cinderela.''Para completar o time, há nomes como Costanza Pascolato, Cynthia Garcia, José Simão, Lilian Pacce, Nirlando Beirão, Regina Guerreiro. É Regina quem lança um olhar sobre o século 20 e conta como de artigos de leis, que obrigavam as saias a deixarem os pés quase totalmente cobertos, o mundo passou a contar com sapatos com cada vez mais personalidade, cor, materiais e formatos variados. Das botinhas que enfeitavam os pés da moda francesa no fim do século 19 aos Manolo Blahnik de Carrie, muita sola se gastou para tornar os sapatos mais confortáveis. ''Toda mulher tem seu lado Carrie. Sapatos são a base para tudo. Definem se você está informal, sensual, esportiva ou sofisticada'', diz Lilian Pacce, que narra a revolução que os pés sofreram quando o rock e a alta-costura resolveram se unir em plenos anos 50. Rock, pós-Guerra, jovens rebeldes , o agulha de Marilyn...Tudo ao mesmo tempo. ''Essa profusão de estilos e referências começou e não parou mais. Hoje pode tudo, misturar estilos, saltos, rasteiras, couro, borracha. O Brasil afirma-se no mercado internacional, tão competitivo, com criatividade. Em tempos em que todos tinham medo de perder mercado, o País exporta para 130 países. Este ano vai fechar com a quantia de mais de US$ 2 bilhões em exportação. Tanto no estilo quando na hora de negociar, o brasileiro é criativo, acessível e simpático. Isso agrega valor e nos ajuda a firmar o pé em um mercado cada vez mais global'', conclui Perla.

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