Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Com jogo de luzes, exposição imersiva faz representação crítica de São Paulo

Farol Santander recebe instalação do coletivo italiano NONE e ainda peças dos brasileiros Leandro Lima e Gisela Motta

Pedro Rocha, Especial para o Estado

02 Outubro 2018 | 06h00

Uma versão da cidade de São Paulo com placas vibratórias metálicas. Uma miniatura de um parque de diversões com iluminação de led. Numa nova exposição imersiva em São Paulo, o público vai poder mergulhar nos dois cenários, num jogo luminoso e sonoro, com a mostra Luz e Arte – Reflexão e Emissão, que entra em cartaz no Farol Santander, na capital paulista, a partir desta terça-feira, 2. 

A exposição ocupa dois andares do histórico Edifício Altino Arantes, no centro. No 23.º andar, há justamente uma reprodução da cidade de São Paulo, feita pelo coletivo italiano NONE. A instalação, intitulada NO STRATA, constrói uma paisagem nebulosa, com uma apresentação de 15 minutos que inclui sons, luzes e 44 placas metálicas vibratórias, que fazem um paralelo entre as várias áreas da cidade, numa crítica social. “Na Itália não temos uma cidade tão grandiosa. São Paulo, com sua grandeza e milhares de pessoas, conexões e informações, foi o que nos inspirou”, diz o artista italiano Mauro Pace, que veio ao País montar a instalação. 

O processo não foi simples. Durante os 15 minutos, todos os elementos precisam estar sincronizados. “É complicado”, assume Pace. A grande composição, tanto musical quanto luminosa, atinge seu ápice com o nascimento, numa tela, de um bebê. A junção de todos os aspectos é o que dá nome à obra. “Vivemos em estratos sociais diferentes. Você precisa caminhar entre os blocos para ver essas camadas”, explica Pace. “Há ainda uma luz, que controla, acima de você, que pode ser tido como a política.”

Segundo o artista, o ponto mais alto dos blocos seria uma representação da parte mais rica da cidade, com placas douradas. As mais baixas, com os cabos elétricos acumulados, seria a parte mais pobre. O bebê, de acordo com Mauro, que aparece numa imagem de ultrassonografia, é o contraste a toda desigualdade. “Quando estamos na barriga de nossas mães, todos somos iguais.”

No andar abaixo, outra representação, apenas luminosa. Com uma escala de 5:1, os artistas brasileiros Gisela Motta e Leandro Lima desenvolveram, na obra Entreter e Não Ter, um miniparque de diversões. Luzes de led emulam o movimento de alguns brinquedos. Segundo os artistas, o deslocamento de um parque, ambiente de fantasia e fuga da vida real, para a arte imersiva, pode questionar a função artística hoje. 

“Essas peças, como num parquinho, foram feitas com a função de entreter”, diz ainda Leandro. “Cada peça tem uma função individual, mas também em grupo, e nós vimos uma relação com uma exposição de arte, como se cada uma representasse uma obra.” 

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