Foto do Acervo do Museu da Pessoa
Claudio de Rezende Barbosa, um dos entrevistados do Museu da Pessoa Foto do Acervo do Museu da Pessoa

Com atividades 100% online, Museu da Pessoa registra depoimentos em tempos difíceis

Após investimento de quase R$ 5 milhões do BNDES, local deve ter acervo completamente digitalizado até fim do ano

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2020 | 11h00

O novo coronavírus também promoveu mudanças no Museu da Pessoa. Com atividades 100% online, a instituição percebeu a relevância que poderia ter, ampliando sua atuação em tempos de pandemia. “Apesar de a equipe toda estar trabalhando de casa, por ser um museu virtual, não tivemos que fechar nossas portas. Por isso, o Museu fortaleceu sua programação virtual, voltando-se ao que estamos vivendo, propiciando conteúdos conectados ao atual momento e criando oportunidades de participação de seus usuários também de forma relacionada à este período” afirma Karen Worcman, diretora do Museu da Pessoa. A equipe está colhendo depoimentos de quem quiser contar sobre seu dia a dia durante a quarentena, no projeto Diário para o Futuro. Saiba como contar sua história aqui.



O Museu da Pessoa surgiu há 29 anos, antes de se pensar em haver um computador pessoal. Agora, os registros, antes feitos presencialmente, estão sendo migrados para o mundo virtual. Há dois anos, o BNDES fez um investimento de R$4,9 milhões, negociado pela Levisky Legado, para reestruturar a plataforma online de acesso aos conteúdos, criação de uma nova identidade visual e comunicação em redes sociais, lançamento de programação bimensal e digitalização dos conteúdos que estavam em fitas betacam, mini-DV e outros suportes. 

“As instituições culturais são verdadeiras embaixadas da identidade de um povo, de uma nação. Investir em instituições culturais é investir na autoestima da própria sociedade, refletindo e dialogando com sua história, tradições, conflitos e anseios. Além disso, neste novo contexto de pandemia, a cultura assumiu também um papel social e tem dado suporte, inclusive emocional, para que as pessoas atravessem o período de isolamento. A importância do investimento em instituições culturais é latente, pois estas não possuem sustentabilidade financeira, em sua grande maioria”, enfatiza Ricardo Levisky, consultor estratégico para desenvolvimento institucional do museu.

Segundo ele, até pelo porte e tamanho, museus e teatros dependem de uma diversificação de fontes de receitas, que envolvem sociedade civil, empresas e governos. “É importante trabalhar junto a essas instituições para garantir a sustentabilidade financeira de longo prazo, pois os governos passam, as pessoas passam, mas as histórias e as instituições ficam; são os nossos legados. Historicamente, o Brasil cultiva e valoriza pouco os seus legados e, somado a isso, não temos a cultura de pensar a longo prazo. Portanto, o desafio é grande, mas essencial”, diz.

Recentemente, o Museu da Pessoa lançou um filme no Canal Curta, com quatro diretores contando histórias a partir do acervo da instituição.

Assista ao vídeo:

 

Aniversário de 30 anos do Museu da Pessoa terá acervo digitalizado 


O Museu da Pessoa completará 30 anos em 2021 e a principal comemoração será a digitalização completa do material, como conta a diretora da instituição, Karen Worcman: “Estamos em um ano de preparação para seus 30 anos. O acervo do museu será totalmente digitalizado até o fim deste ano com o apoio do BNDES e disponibilizado ao público integralmente a partir do ano que vem em sua nova plataforma”, afirma. Até lá, o público continuará conferindo exposições em um momento desafiador para a sociedade brasileira, sobretudo para a cultura. 

“O museu vê aí também o seu papel em provocar, por meio das suas ferramentas e das suas exposições, formas de conectar pessoas e incluir múltiplas perspectivas sobre o momento em que estamos vivendo. Até o fim do ano, o museu já vai contemplar duas temáticas relevantes para o momento atual. O feminino, entendendo como uma agenda do momento com o aumento da violência doméstica, e, por outro lado, o protagonismo feminino na nossa sociedade, que pode ser compreendido e visualizado por meio de histórias do nosso acervo. A outra temática será Vidas Negras, sobre a qual também haverá uma leitura do acervo do museu, acompanhada da criação de editais para jovens produtores da cultura negra para uma colaboração na construção dessa temática tão relevante no mundo e que é um desafio para que a sociedade brasileira possa, de uma outra forma, enfrentar sua herança colonial e escravagista”, conclui.

A embaixadora do Museu da Pessoa, Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil, destaca a importância da instituição para a identidade nacional. “O Museu da Pessoa oferece a oportunidade de conhecermos as histórias mais importantes: das pessoas que fazem este País, desde as mais simples, que formam a identidade do que é ser brasileiro. São histórias do dia a dia que constroem a nossa identidade de nação”, declara.

Como empresas e sociedade civil podem ajudar a manter instituições culturais


As empresas podem apoiar instituições culturais de inúmeras formas: doações diretas, editais de apoio, patrocínios de projetos, parcerias de branded content, criação de produtos sociais ou campanhas de doação com clientes e funcionários, entre outros, a depender da estratégia de responsabilidade social da companhia, como explica Ricardo Levisky, consultor estratégico para desenvolvimento institucional do Museu da Pessoa. “Além da verba direta, existem as leis de incentivo, principalmente a Lei Federal de Incentivo à Cultura, que as empresas podem utilizar para apoiar as instituições culturais, descontando o valor doado do imposto de renda. Mas as empresas devem e precisam encontrar espaço para patrocinar e ampliar seus horizontes com o conceito de “comunicação por meio de legados”. Mais do que ter um departamento de responsabilidade social ou cultural, a empresa precisa agir com esta responsabilidade em todas esferas.  É esta a mudança de cultura que precisamos”, avalia.

Para ele, é fundamental uma atuação conjunta de empresas, governo e sociedade civil para garantir a manutenção da cultura. “A cultura é o que permeia a identidade do ser humano e da nossa sociedade e as instituições culturais são o nosso legado enquanto nação e enquanto povo. Por isso, é muito importante que essas instituições estejam vivas, para além de sua própria existência, mas pelo que elas representam para a sociedade”, conclui.

Todo o conteúdo multimídia do Museu da Pessoa pode ser conferido no site. Na plataforma, em um verdadeiro arquivo social, o visitante pode acompanhar depoimentos de quem fez e faz parte da história brasileira através de vídeos, áudios, fotos e textos escritos pelas próprias pessoas.

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