Com a sua Radio Bemba, Manu Chao promete festa

Cantor franco-espanhol faz hoje no Espaço das Américas a primeira apresentação da turnê brasileira, em que toca as canções do mais recente CD, La Radiolina

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

11 de fevereiro de 2009 | 00h00

Há quatro anos sem se apresentar em São Paulo, Manu Chao desembarca hoje da Bahia para iniciar uma pequena turnê nacional por sete cidades. Em apresentação única no Espaço das Américas, ao lado da vigorosa banda Radio Bemba Sound System, que já estava ontem na cidade, ele vai tocar pela primeira vez para os brasileiros o repertório de seu mais recente álbum, La Radiolina.Não se trata, no entanto, de um show do CD, mas da banda, como ele adverte: "Disco é uma coisa, show é outra, bem mais pauleira", diferencia Manu. Quem viu os anteriores, relacionados aos discos mais tranquilos, Clandestino e Proxima Estación: Esperanza, sabe bem do que ele está falando. No palco, Manu e sua banda são incendiários. "La Radiolina é mais próximo do que fazemos ao vivo do que os outros CDs", confirma.A Radio Bemba, além de Manu (voz e guitarra), é formada por David Bourguignon (bateria), Gambeat (baixo), Madjid (guitarra), Garbance (percussão), Julio Lobos (teclados) e Angelo Mancini (trompete).Os shows no Brasil não estavam planejados, foi tudo montado muito rápido, segundo Manu. Ele e sua banda estão encerrando a turnê, que passou pela Europa, pelos Estados Unidos e México, onde os shows foram filmados e certamente vão virar DVD. Em terras brasileiras ele conta com outro combustível para desencadear a pauleira. "Aqui muda um pouco a apresentação, porque para mim estar no Brasil é sempre uma felicidade, seja pra show ou pra curtir a vida. A reação do público brasileiro sempre foi muito boa."Além do shows da turnê, ele canta no carnaval do Recife com a banda pernambucana mundo livre s.a. "É um imenso prazer reencontrar a mundo livre. No ano passado fizemos uma parceria em Fortaleza. Curto muito a versão que eles fizeram de Minha Galera", diz Manu, referindo-se à única canção de seu primeiro álbum-solo cantada em português.Cidadão do mundo, bem relacionado, o franco-espanhol se vira em inglês, espanhol, português, francês, árabe, italiano, entre outras línguas. Amigo de Eugene Hutz, do grupo Gogol Bordello, de perfil cigano, Manu diz que é provável que se encontrem em algum show em Recife, já que os dois andam sempre por aqui. Embora muita gente compare um com outro, provavelmente pelo espírito anárquico, libertário, Manu faz distinção no aspecto musical. "Nossos trabalhos são bem diferentes, a base de inspiração da música dele é o Leste Europeu, a minha é mais latina. Nossa maior afinidade é a energia que temos no palco. Quando a gente se junta é uma festa brava."Engajado em causas humanistas, Manu criticou o ex-presidente americano George W. Bush diversas vezes em discursos durante shows e canções. Em Rainin? in Paradize, uma das melhores faixas de La Radiolina, canta: "Em Bagdá não há democracia/ Simplesmente porque é um país dos Estados Unidos." "Os oito anos de Bush no poder foi uma desgraça para o mundo inteiro. Acho que o dia em que Barack Obama foi eleito, simbolicamente, foi bem importante, mas que agora ele vai mudar alguma coisa, eu tenho muita, muita, muita dúvida. Faz muito tempo que a democracia é uma farsa. Faz muito tempo que os políticos em quem votamos não têm poder para mudar as coisas realmente. O que manda é a economia." Hoje, porém, ele garante uma noite de festa. ServiçoManu Chao. Espaço das Américas (7 mil lug.). Rua Tagipuru, 795, Barra Funda, telefone 4003-1212. Hoje, às 21h30. Ingressos de R$ 90/R$ 100

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