Com a palavra, a ex-assessora do cel. Ubiratan

Karina Florido Rodrigues fala à reportagem do Estado sobre o que viveu na conturbada sessão de teatro

O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2028 | 00h00

Karina Florido Rodrigues conversou longamente com a reportagem do Estado, por telefone. A primeira pergunta é por que o protesto com a peça e não com o livro ou o filme. "O livro é corretíssimo. O Drauzio avisa que o que ele vai relatar foi contado pelos presos. Mas o que realmente aconteceu ali só os presos, a polícia e deus podem saber." Já com filme dirigido por Babenco, ela ficou tentada a pedir a proibição. "Mas por ser obra de arte, ficção, não se pode censurar. Eu acho estranho dizer que é ficção um filme feito sobre um fato real, num presídio que existiu." Da peça, ficou sabendo pelos jornais. "Pelo que li, percebi que só a voz dos bandidos seria ouvida, daí ter escrito o texto. Não dá mais para ficar ouvindo histórias de bandido coitadinho. Por que não mostrar também o lado dos policiais que são mortos a toda hora? Dos 98% de pobres que acordam às 5 horas da manhã e trabalham o dia inteiro por um salário de R$ 400,00?" Karina lembra que alguém, na platéia, sugeriu que ela escrevesse sua peça sobre o tema. "Ora, não sou artista, não é o meu papel, só queria expressar a minha opinião. Falei isso várias vezes lá, é só a minha opinião." Sua intenção inicial era enviar o texto apenas para amigos. "Resolvi colocar também no blog da peça porque acho que a gente não pode falar só para quem concorda com nossa opinião. Não ofendi ninguém pessoalmente, não pedi a censura da peça, não escrevi anonimamente. Não sou a favor de mensagens anônimas e agressivas. Chorei durante 20 minutos ao entrar no carro depois da discussão no teatro. Chorei por ver gente esclarecida dizendo que a polícia é corrupta, fazendo generalizações. Existem maus policiais, maus políticos, maus jornalistas. Em todos as profissões é assim. Não aconteceu um debate ali, as pessoas não estavam dispostas a ouvir uma opinião contrária, acho que nem era o lugar." Diz que não foi fácil ir até lá, que esperava conversar com os atores e não um debate aberto ao público como se configurou. "O Dr. Douglas, não o conheço bem, mas sei que ele é médico neurologista e participa de um grupo de motociclistada Harley Davidson, daí a jaqueta, foi quem puxou o debate, tentou ler meu texto no palco." Diz ter ficado surpresa com o convite e com dimensão do incidente que sua atitude provocou. "O (ator)Paschoal da Conceição convidou-me. Aliás, quero dizer que o Pascoal o tempo todo foi um cavalheiro. Não o conhecia, descobri que ele é um ótimo ator, mas sobretudo que é uma pessoa generosa. De agora em diante, sempre que eu souber que ele está numa peça eu vou ver." Ela nega que tenha sido agressiva na bilheteria, como foi divulgado. "De forma alguma. Perguntei se havia alguém da peça ali, a moça da bilheteria perguntou por que eu queria falar. Eu expliquei que tinha deixado o texto no blog, que tinha sido convidada, que iria falar com eles sobre o espetáculo no final. Percebi que não seria fácil, resolvi comprar os ingressos. Fui com duas amigas, Ana Prudente e Dona Fumio." Segundo ela, a peça é impecável esteticamente. "Não tenho nada a criticar como espetáculo. Achei os atores bárbaros, sobretudo dois deles, o Pascoal e um outro, que faz um travesti que sobe uma escadinha (Ando Camargo). Achei a direção muito boa, a adaptação do texto também, conheço bem o livro, li várias vezes por motivos óbvios. Só acho que faltou o cuidado que Drauzio teve no livro."

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