Cinema nacional fica estável na crise

Cerca de 9 milhões viram filmes brasileiros em 2008, segundo levantamento da Ancine; 2009 e 2010 projetam recordes

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

08 de maio de 2009 | 00h00

A Agência Nacional de Cinema (Ancine) divulgou esta semana os dados referentes ao desempenho do cinema em 2008 no País. A boa notícia é que a participação do filme brasileiro no mercado (market share) se manteve na média do período da retomada, 10,16% (na retomada, a média ficou entre 10% e 15%). Houve um momento, no meio do ano passado, em que essa média tinha caído para menos de 7%, mas recuperou-se no segundo semestre.Em 2008, o cinema nacional foi visto por 9.143.052 espectadores (diante de 10 milhões em 2007). O preço médio do ingresso cobrado para o filme nacional no País foi R$ 7,68, e a renda dos filmes nacionais ficou em R$ 70 milhões (o cinema estrangeiro faturou cerca de R$ 660 milhões, com um preço médio de ingresso de R$ 8,11). Ao todo, foram 324 estreias, 79 delas de filmes brasileiros."Houve uma recuperação forte no segundo semestre. Filmes como Ensaio Sobre a Cegueira (dirigido por Fernando Meirelles), Casa da Mãe Joana (direção de Hugo Carvana) e Romance (dirigido por Guel Arraes) tiveram muito bom desempenho. O conjunto de lançamentos do segundo semestre, embora nenhum tenha explodido, teve um desempenho médio razoável", considerou Manoel Rangel, presidente da Ancine.Além dos lançamentos de peso, outros dois fatores teriam contribuído para a recuperação do cinema em tempos de crise econômica: uma forte campanha governamental em novembro, que incluiu os exibidores, para levar mais público para ver os filmes nacionais; e o programa Vá ao Cinema, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, que distribui ingressos no interior do Estado, e que é citado como o terceiro aspecto da recuperação, segundo a Ancine.Rangel prevê uma performance ainda mais forte no cinema este ano e em 2010. "Não faço previsões, mas este já é um ano excepcional para o cinema brasileiro. O cinema mostrou que já tem condições de dialogar com os vários públicos do filme nacional", disse. Nos quatro primeiros meses deste ano, já foram vendidos 80% dos ingressos que o cinema vendeu em 2008. Em junho, considera o dirigente, é capaz de o cinema já ter igualado o ano passado inteiro. O fenômeno Se Eu Fosse Você 2,que entrou só na última semana de 2008, é grande responsável pelo desempenho.Algumas estreias futuras permitem o otimismo, segundo Rangel. Entre elas, estão os filmes Mulher Invisível, de Cláudio Torres; Jean Charles, de Henrique Goldman, uma coprodução Brasil-Inglaterra; Tempos de Paz, de Daniel Filho, previsto para estrear em julho; Os Normais 2, de José Alvarenga Jr., previsto para estrear em agosto; Salve Geral, dirigido por Sérgio Resende, que deve estrear em setembro ou outubro; e até o documentário Chacrinha, que está cercado de expectativa.A Ancine, que investiu pesadamente este ano com recursos vindos do Fundo Setorial do Audiovisual (cerca de R$ 70 milhões) espera ainda que, com a adoção do Vale Cultura, programa que será criado junto com a nova Lei Rouanet, haverá um considerável aumento de público para os filmes nacionais nos cinemas do País.O cinema enquanto indústria vai indo muito bem, mas o cinema não comercial reclama de falta de políticas públicas para o setor. O segmento composto por esse grupo se articulou para pedir modificação na nova proposta da Lei Rouanet, considerando que não tem sido atendido nem pela Secretaria do Audiovisual nem pelo Fundo Setorial do Audiovisual, coordenado pela Agência Nacional de Cinema.Entidades como a Associação Brasileira de Documentaristas (ABDN), a Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural (CBCD) e o Conselho Nacional de Cineclubes (CNC) enviaram proposta para a nova Lei Rouanet. Defendem que, como levam cerca de 2 milhões de espectadores por ano a festivais (quase 200 eventos), também têm direito a políticas públicas.Esses festivais, que empregam mais de 6 mil pessoas, querem incorporar ao projeto de lei a criação de um fundo específico para o cinema não comercial e a destinação, por lei, de 15% do total de arrecadação da Codecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional) para sua área. NÚMEROS7,68 reais foi o preço médio do ingresso do filme nacional em 200879 estreias de filmes brasileiros chegaram aos cinemas no ano passado70 milhões de reais foi quanto faturou o cinema brasileiro660 milhões de reais foi quanto faturou no País o cinema estrangeiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.