Cinema infantil: com a palavra, a especialista Charlotte Giese

A dinamarquesa, autoridade no assunto, conversa hoje com o público paulista

Flávia Guerra, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2022 | 00h00

Do cinema infantil brasileiro pode-se dizer que ainda engatinha. O País tem ótimas produções, mas quantidade e acesso do público às que existem ainda estão longe de elevarem o Brasil a um centro importante de produção no mundo. Pensando no porquê disso, as organizadoras do Festival de Cinema Infantil, que vai até domingo, resolveram, mais que investigar os motivos, chamar profissionais internacionais para dividir suas experiências.E um das maiores autoridades européias no assunto conversa hoje com o público de São Paulo, 11 horas, no Sesc Pinheiros . Ela é Charlote Giese, diretora do Children & Youth Film do Danish Film Institute, o órgão que controla e determina a política de cinema na Dinamarca.Mas porque uma dinamarquesa tem este destaque todo? Porque a Dinamarca é um dos maiores produtores de cinema infantil do mundo. ''''Isso se deve não só ao talento dos criadores, mas também a uma política forte no setor. Na Dinamarca, 25% de tudo que se investe em audiovisual deve ser usado para a produção de filmes e programas de TV para crianças e jovens'''', explicou Charlote, em entrevista ao Estado, do Rio, onde ela participou na quinta de uma aula magna com estudantes da PUC. ''''Foi muito interessante. É ótimo observar o interesse de cada país. Aqui, queriam saber o que levamos em conta na hora de pensar um filme para as crianças. No essencial: uma boa história, que fale com o público de todo o mundo e não só o nosso'''', comentaHoje ela encara o público paulista e, na segunda, volta ao Rio para mais uma aula de cinema para os jovens da associação Nós do Morro, no Vidigal. ''''Vai ser bom também. Adoro poder sentir as diferenças que são tantas em um único país. O Brasil tem muita diversidade e potencial'''', diz ela, de olho nos números acanhados de nossa produção audiovisual para as crianças.Para Charlotte, a receita ideal para tirar o Brasil da inércia toca diretamente a área política. ''''Tem que haver uma lei como há na Dinamarca. Leis e programas de incentivo mostram quais são as prioridades de cada governo. As do nosso país é de formar a audiência do futuro'''', opina. ''''O pessoal do Festival Infantil já faz isso. Descobri que há um programa que oferece não só filmes como apostilas de trabalho para professores da rede pública (www.artenasaladeaula.com.br). É assim que se começa. Não basta produzir. Esta produção, seja para a TV, curtas ou longas, tem de chegar a seu público.''''Como chegar? ''''Com projetos como este. Nós, por exemplo, temos mais de 400 títulos infantis disponíveis em bibliotecas públicas.'''', exemplifica. Para finalizar, a eterna busca da boa relação entre cinema e TV. ''''A produção de qualidade para a TV é essencial. Criança assiste à TV. E se elas virem bons programas, vão se interessar pelo bom cinema também. O Brasil tem milhões de crianças. E muito potencial. É preciso aproveitar isso.''''

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