Cinema de Hermanos

La Teta Asustada, do Peru, e Gigante, do Uruguai, mais ciclos em salas especiais, fazem a festa latina no circuito paulistano

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2009 | 00h00

Em julho, o 4º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo já abrira uma janela importante para a produção dos hermanos. Na época, o Estado registrou a movimentação de jovens no Memorial da América Latina e até lamentou que o circuito exibidor, programado para outro tipo de filme, não dê a devida atenção às demandas de um setor da plateia que não se satisfaz com os blockbuster de Hollywood. Os hermanos agora estão de volta, e no circuito comercial, embora parte das atrações latinas de hoje, nos cinemas da cidade, também se desenvolva num espaço mais alternativo.Estreiam dois filmes que estiveram no Festival de Berlim, em fevereiro. Um deles recebeu o Urso de Ouro, pelo segundo ano consecutivo outorgado a uma cinematografia da América Latina. No ano passado, o vitorioso foi Tropa de Elite, de José Padilha. Neste ano, foi uma vencedora, a peruana Claudia Llosa. Seu filme La Teta Asustada integrou a programação do Festival Latino de São Paulo rebatizado como O Leite da Amargura. De volta à tradução original, A Teta Assustada recebeu, depois disso, o Kikito de melhor filme do 37º Festival de Gramado, encerrado no sábado, e hoje ganha o circuito paulistano.Outro vitorioso de Berlim - com o Urso de Prata - também foi premiado em Gramado e estreia hoje, Gigante, de Adrián Biniez, que é ainda melhor do que A Teta Assustada. O filme confirma o que já virou motivo de espanto e interrogação dos cinéfilos brasileiros. O Uruguai é um país minúsculo, que possui uma produção tão reduzida que, em geral, não totaliza os dedos de uma mão, a cada ano.O mistério é que os filmes uruguaios podem ser poucos, mas são sempre bons. Gigante é a brilhante confirmação da regra. Como explicar, não apenas que isso ocorra, mas que se venha repetindo há anos?Ambos os filmes, A Teta Assustada e Gigante, receberam os prêmios de atriz e ator em Gramado. Ela, Magaly Solier, não apenas interpreta como também compõe (e canta) as músicas do filme de Claudia Llosa. Ele, Horacio Camandule, não é ator profissional, mas tem physique du rôle e temperamento dramático, mas, absurdamente, o júri de Gramado dividiu seu prêmio, que foi compartilhado, sabe-se lá por que, pelo colombiano Matías Maldonado, por um filme bem menos interessante - Nochebuena, de Camila Loboguerrero.Peru, Uruguai e Argentina - Adrián Biniez é argentino de nascimento, embora tenha feito seu filme no Uruguai, beneficiando-se da paisagem de Montevidéu. Mas tem mais da Argentina para os cinéfilos de São Paulo, e do Chile. Uma seção especial do 20º Festival de Curtas, iniciado na quarta - e que prossegue até 28 -, chama-se justamente Curta Chile e apresenta, entre obras de outros diretores, filmes assinados por dois autores chilenos de prestígio internacional, Alejandro Jodorowsky e Raul Ruiz. Na próxima semana, dia 27, começa no Reserva Cultural o 2º Festival de Cinema Chileno, com filmes elogiados como La Buena Vida, de Andrés Wood, e Alicia en el País, de Estebán Larrain.No Centro Cultural Banco do Brasil, até o início de setembro, ocorre outra mostra, Do Novo ao Novo Cinema Argentino. São 20 filmes do nuevo cine nos anos 50 e 60 e da retomada deles, que se antecipou à brasileira e começou em 1997. Com o subtítulo de Birra, Crise e Poesia, a mostra apresenta desde clássicos como Los Inundados, de Fernando Birri, de 1962, até obras mais recentes, dos anos 2000, como Plata Quemada, de Marcelo Piñeyro.

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