Cinco vertentes da experimentação

Diversidade de técnicas e meios marca mostra de artistas como Leonilson e Edith Derdyk no Centro Universitário Maria Antonia

Maria Hirszman, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2008 | 00h00

O Centro Universitário Maria Antonia abre hoje ciclo de exposições com seleção marcada pelo experimentalismo e diversidade de técnicas e meios empregados. Como lastro histórico, há a obra de Leonilson (1957-93), um dos grandes nomes da produção brasileira recente. São cerca de 30 desenhos, do fim dos anos 80 e início dos 90, numa tentativa de apontar caminhos de leitura em sua produção. ''Encontramos discursos que precisam ser revistos'', afirma o curador Carlos Eduardo Riccioppo, referindo-se à ênfase dada à forte dimensão expressiva e ao peso das referências biográficas quando se fala de Leonilson. Os desenhos selecionados pertencem a ''uma freqüência mais baixa de sua dimensão expressiva'', diz Riccioppo. E trazem marcas constitutivas da produção do artista: estão carregadas de ironia e comentam o mundo da arte e o homem contemporâneo. Mas trabalham com o vazio, com subjetividade sutil.O desenho também é o elemento central da obra de Edith Derdyk. O que não deixa de ser curioso quando pensamos que não há risco, traço ou marca manual nas toneladas de papel da instalação Se Um Mar Inteiro Sob o Leito de Um Rio. Trata-se de investigação acerca das potencialidades e limites do fluxo da linguagem e da forma, do pensamento e da palavra. São dois núcleos. No chão, ondas de papel se entrecruzam e ocupam transversalmente o piso da sala. Procuram atravessar por entre as colunas, são interrompidas por uma lâmina de aço enegrecido com graxa, mas continuam seu percurso. Ainda compõe a instalação uma série de livros que Edith realizou no Canadá. A idéia de linha, de transposição do discurso lingüístico para a representação visual se faz presente. Esses livros são cortados ao meio com versos criados pela artista usando palavras relacionadas à água. As manchas de texto compõem um fluxo inconstante e desigual. As palavras parecem estar bêbadas, mas seguem seu curso. ''São uma fala incessante, desmedida'', afirma ela.Ainda no segundo andar, ao lado de Edith e Leonilson, há o conjunto de desenhos e pinturas de Alexis Iglesias, artista cubano radicado no Brasil. Enquanto suas pinturas mostram forte carga expressiva, de grande intensidade cromática, seus desenhos são mais suaves, oníricos e marcados por atmosfera metafísica.No primeiro andar estão as obras de Fernando Lindote - cujo grande desenho com fitas adesivas negras nas paredes e piso remete ao universo das criações em terceira dimensão, mas explora e deixa evidente a precariedade do meio - e Sofia Borges. Mais jovem entre os expositores, Sofia mostra uma série de experimentações com fotografias digitais. Realidade e artifício, pose e movimento se chocam permanentemente nessas imagens. No texto de apresentação, Carolina Soares sintetiza essa operação, falando em ''fotografia que simula a si mesma''.Serviço Leonilson, Fernando Lindote, Edith Derdyk, Alexis Iglesias e Sofia Borges. Centro Universitário Maria Antonia. Rua Maria Antonia, 294, 3255-7182. 3.ª a 6.ª, 12 h às 21 h; sáb. e dom., 10 h às18 h. Grátis. Até 24/8.Abertura hoje, 20 h

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.