Letizia Battaglia
Letizia Battaglia

Cinco exposições de fotografia para conferir em São Paulo

Magia da noite na América Latina, obra de Miguel Rio Branco e fotojornalismo estão entre as dicas

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2019 | 16h49

Cinco exposições em cartaz em São Paulo abordam o universo da fotografia, com registros que vão da noite latina aos crimes mafiosos na Itália. Confira as dicas separadas pelo Caderno 2:

Letizia Battaglia: Palermo

Letizia Battaglia foi a primeira fotojornalista siciliana. Entre as décadas de 1970 e 1980, trabalhou como editora de fotografia no jornal  L’Ora. Registrou, incansavelmente, os piores crimes da máfia italiana.

São essas histórias que o IMS Paulista resgata na exibição Letizia Battaglia: Palermo. Com curadoria de Paolo Falcone, que trabalha com a fotógrafa há três décadas, a mostra reúne 90 imagens brutas da atuação da máfia no país. O público poderá conferir, ainda, um documentário sobre a fotógrafa.

LETIZIA BATTAGLIA: PALERMO. IMS Paulista. Av. Paulista, 2424. 2842-9120. Terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 10h às 20h. Quinta (exceto feriados), das 10h às 22h. Gratuito. Até 22/09.

Nova Fotografia 2019: Limbus

Cerca de seis mil pessoas em situação de extrema pobreza moram em cemitérios de Manila, capital das Filipinas. Entre as covas, as comunidades construíram moradias, mercados e até botecos.

A maioria dos skeletons, como são conhecidas as pessoas que moram em cemitérios, reside no North Manila Cemeter, que concentra uma população de duas mil pessoas. O fotógrafo brasileiro Gustavo Gusmão fotografou o local por dois anos.

A mostra faz parte do programa Nova Fotografia 2019, um projeto anual do Museu da Imagem e do Som que seleciona seis trabalhos de artistas promissores por ano.

NOVA FOTOGRAFIA 2019 - LIMBUS. Museu da Imagem e do Som. Av. Europa, 158. 2117-4777. Terça a sábado das 10h às 20h, domingos e feriados das 9h às 18h. Gratuito. Até 30/6.

 

Sérgio Larrain: Um Retângulo na Mão

Fotógrafo chileno, Sérgio Larrain foi capaz de construir um legado imagético em poucos anos de atividade. Filho de família abastada, começou a fotografar nos Estados Unidos, na década de 50, e viajou o mundo com sua câmera.

São estes flagrantes, 140 fotografias, selecionadas de seu arquivo pela curadora Agnès Sire, diretora artística da Fundação Cartier-Bresson, que estão expostos no IMS (Instituto Moreira Salles) em São Paulo até 25 de agosto.

A exposição narra o percurso criativo de Larrain, poeta da imagem que registra aquilo que o encanta, em especial o cotidiano das ruas. Ironicamente, a mostra recebeu o nome de Sérgio Larrain: Um Retângulo na Mão, nome de seu primeiro fotolivro. O fotógrafo acreditava carregar a forma geométrica na mão, mas seus registros trazem exatamente o oposto: a fuga do rigor técnico e a liberdade criativa da linguagem.

SÉRGIO LARRAIN. Terça a domingo e feriados, das 10h às 20h. Quinta, das 10h às 22h. IMS Paulista. Av Paulista, 2424. Gratuito.

Ainda Há Noite/Nos Queda la Noche

A noite pode ser escura, trazer pesadelos, mas também pode trazer festas e sonhos. Para explorar as diversas visões sobre a noite na América Latina, o Itaú Cultural acaba de abrir uma nova exposição fotográfica com trabalhos de 12 artistas de diversos países.

Intitulada Ainda Há Noite/Nos Queda la Noche, a mostra conta com mais de 300 fotografias feitas em 10 projetos. Sete deles são inéditos, comissionados pelo próprio Itaú Cultural. Dentre os expostos pela primeira vez, dois são brasileiros, assinados pelos fotógrafos Luisa Dörr e Bruno Morais.

Em entrevista ao repórter Pedro Rocha, o curador catalão Claudi Carreras conta que os projetos receberam uma orientação. “Pedimos que os artistas maginassem o momento em que você entra em casa, à noite, e fica sozinho, sem barulho. Você faz um resumo do dia”, explica. “Nesse minuto, a gente consegue frear e pensar. Você tem a consciência do dia, mas, ao mesmo tempo, começam a entrar os sonhos. Esse momento se chama vigília, você ainda tem muita lucidez, mas perde a noção da realidade.”

AINDA HÁ NOITE/NOS QUEDA LA NOCHE. Itaú Cultural. Av. Paulista, 149, 2168-1777. 3ª a 6ª, 9h/20h; sáb., dom. e fer., 11h/20h. Até 11/8

Maldicidade

O brasileiro Miguel Rio Branco morou em Nova York na década de 70, convivendo com a turbulência e a marginalidade da metrópole americana. A série Maldicidade, ainda em andamento, dá prosseguimento ao ensaio fotográfico iniciado nessa época.

Miguel, filho de um diplomata e descendente do barão e do visconde do Rio Branco, sente certa identificação com esses personagens marginais. Sendo obrigado a mudar de país constantemente por causa do pai, ficou desenraizado e hoje não se sente particularmente ligado a algum nicho social ou país, embora grande parte de seu portfólio cubra regiões da América Latina. Com dupla nacionalidade (a avó do fotógrafo era francesa), ele diz, no entanto, que criou raízes em outros países. “Afinal, temos todos os mesmos problemas, que poderiam ser resolvidos com boa vontade.”

Além das fotografias publicadas no livro homônimo de 2014, a exposição traz novas imagens. São cerca de 20 obras que, em conjuntos narrativos, contam histórias das diferentes cidades em que o artista esteve.  

MALDICIDADE. Galeria Luisa Strina. Rua Padre João Manuel 755. 3088–2471. Segunda a sexta, das 10h às 19h, e sábados, das 10h às 17h. Até 27/7.

 

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