Cinco anos depois, 7 Vezes O Rappa

Banda lança hoje o novo álbum, cheio de letras enigmáticas, mas show em São Paulo ocorre somente em setembro

Livia Deodato, O Estadao de S.Paulo

14 de agosto de 2008 | 00h00

Parte do enigma foi revelado. Vocês se lembram de cartazes, do tipo lambe-lambe, com a frase "5 anos depois do silêncio", colados em paredões e tapumes por toda a capital? Algumas discussões na internet chegaram até a cogitar um possível retorno à ativa dos Racionais, por causa da fonte de letra usada e também porque o tempo anunciado é praticamente o mesmo em que não lançam nenhum novo álbum. Mas os milhares de teasers, espalhados tanto em São Paulo, como no Rio, diziam respeito à banda carioca O Rappa, que hoje lança oficialmente seu sétimo álbum, 7 Vezes, após cinco anos do último e bem-sucedido O Silêncio Q Precede o Esporro. Tudo bem, os fãs vão dizer que no meio do caminho, mais precisamente, em 2005, teve o Acústico MTV, que contou com duas inéditas - Na Frente do Reto e Não Perca as Crianças de Vista. Mas um disco só com novidades, isso foi mesmo o que fizeram agora. E acreditam que demoraram tempo suficiente para afinar o repertório e toda a produção musical que, pela primeira vez, foram executados essencialmente pelos integrantes da banda. Ouça trecho de Em Busca do PorrãoUm dos maiores desafios do grupo foi seguir em frente sem Tom Capone, produtor musical morto em 2004 vítima de uma acidente de motocicleta em Los Angeles, nos Estados Unidos. Pois o quarteto formado por Marcelo Lobato (bateria), Alexandre Menezes (Xandão, guitarra), Lauro Farias (baixo) e Marcelo Falcão (voz) resolveu unir ainda mais as forças para que juntos saíssem em busca de um material fresquinho, sem perder a marca sonora e os argumentos sociopolíticos sempre presentes na história musical do grupo. O quarteto não só compôs e arranjou as 14 faixas presentes em 7 Vezes (com exceção da releitura de Súplica Cearense, de Luiz Gonzaga), como também fez questão de se dividir em diversos outros instrumentos que não são os seus de "origem": Lobato se arriscou na marimba, vibrafone e teclados (sem contar alguns utensílios domésticos, como bacia, garrafa e algumas taças); Xandão partiu para o cavaquinho e bandolim; Farias reforçou o som pesado com uma Fender Telecaster (guitarra elétrica); e Falcão apostou nos violões e ruídos. "Em nenhum momento usamos loops (batidas repetidas do início ao fim de cada canção, com auxílio de computador)", revela Falcão.A fim de traduzir com fidelidade o que seriam apenas vontades sonoras em um produto final de excelência a la Rappa, a banda, que já beira seus 16 anos, chamou uma galera nova, talentosa e "do bem". Entre os nomes estão Ricardo Vidal e Tom Sabóia na produção, Vinícius Falcão, irmão do vocalista, e André Rafael, no coro, Cleber Sena no caxixi e tambor de crioula, e Bernardo Aguiar nas panelas, pandeirão e unha de cabra (instrumento percussivo). "Para nós, é mais importante ter bom caráter do que ser um excelente músico", assegura Lobato.Agora, as letras que figuram no novo álbum fazem parte dos outros 50% do enigma que ainda precisa da sua ajuda para ser descoberto. A sexta faixa, Em Busca do Porrão, talvez seja o melhor exemplo da pulga que deve se alojar atrás da sua orelha: "A busca do porrão não é de paz ou de abraço/ de grade, de foice amarelada, não é de cagaço/ não tem cor, não tem caô/ nem promessa, nem fita, nem missa/ A busca do porrão não é missão/ é uma sina." "O porrão pode significar muitas coisas", diz Falcão. "Cada um pode interpretar de uma forma diferente. E isso é riqueza", complementa Xandão. A capa do novo álbum também segue a linha da liberdade de interpretação: a mão esquerda de Falcão, com o dedo indicador para baixo, forma o número sete, mas também pode simbolizar "uma mão desarmada ou um revólver apontando para baixo." Sete porque é o sétimo álbum, porque é o número cabalístico que indica sorte, porque são sete os dias da semana, as cores do arco-íris, "os anões", tira sarro Farias. Agora é com você.

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