Cia. do Feijão pergunta: por que a esquerda se endireita?

Esse foi o mote da pesquisa feita para o espetáculo Pálido Colosso, que tem formato de cabaré e revisita 40 anos de História

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

25 Outubro 2007 | 00h00

Cada um de nós age a cada instante movidos pelo acúmulo de experiências de toda a vida. Somos o tempo todo a soma de nossas vivências, de nossas conquistas e fracassos, e não só individuais, mas também as de nosso tempo histórico. Algo que só conseguimos perceber, e modificar, porque passado também muda por reavaliação, quando nos afastamos um pouco de nós mesmos e conseguimos olhar de fora. É o que faz a arte. Mais especificamente, é o que faz a Cia. do Feijão no espetáculo Pálido Colosso, que estréia hoje na sede do grupo, bem ali ao lado do famoso Arena. Nessa peça, o grupo passa em revista suas experiências pessoais entrelaçadas com a história dos últimos 40 anos do Brasil, tudo trabalhado em sala de ensaio. Muita ambição? ''''Acho que é nossa criação mais tranqüila'''', diz Pedro Pires, que dirige a montagem em parceria, como sempre, com Zernesto Pessoa. ''''Nunca estive tão feliz num véspera de estréia.'''' O espetáculo é fruto de um projeto de pesquisa chamado ''''por que a esquerda se endireita - um estudo da alma brasileira contemporânea'''', contemplado pelo Programa de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. A idéia é reavaliar, com as armas do humor, do sarcasmo e também da emoção, os últimos 40 anos de história brasileira. O público vai rever, ou melhor ouvir, desde o discurso da atriz Cristiane Torloni no comício das Diretas Já até a famosa interpretação de Fafá de Belém para o Hino Nacional. ''''Claro que temperamos tudo com pimenta'''', diz Pires. ''''Mas algumas cenas dão um nó na garganta. Quem já viu o ensaio comentou ter revisto a própria vida e até recolocado a si mesmo questões que haviam abandonado'''', diz Pires. Por exemplo? A briga pelas eleições e pela existência de um Congresso genuinamente representativo. ''''Esquecemos tudo isso?'''' O espaço ganhou mesas, cadeiras e talvez até bebidas - ''''não somos bons em comércio, mas vamos ter cervejas e talvez amendoins''''. Em torno das mesas, o público vai curtir os ''''números'''' que revisitam a História nesse espetáculo que tem formato de cabaré. Um ventriloqüista faz um editor com seu ''''boneco'''' jornalista - foi a forma escolhida para falar da censura à imprensa. Entre os números cômicos, duas velhas cujas memórias fazem miscelânea de presidentes.

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