Hélvio Romero/ Estadão
Hélvio Romero/ Estadão

Chiharu Shiota vem ao Brasil com mostra que une obras inéditas com retrospectiva

Em exibição no CCBB de São Paulo, exposição 'Linhas da Vida' apresenta ao público alguns dos momentos mais importantes da carreira da artista

Maiara Santiago, Especial para O Estado

15 de novembro de 2019 | 06h00

Um turbilhão de emoções. É assim que se apresenta ao público a exposição de Chiharu Shiota, Linhas da Vida, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de São Paulo. A mostra, que teve início na última quarta-feira, 13, é uma mistura de obras inéditas e retrospectiva dos trabalhos mais marcantes da artista japonesa. Ao todo, 70 peças estão expostas ao público.

Quem visitar a exposição vai se surpreender, logo à primeira vista, com a gigante Além da Memória, instalação que Chiharu fez exclusivamente para o CCBB. A obra, que soma 13 metros, foi feita com 800 rolos de lã – mais de 4 mil metros de linha branca. Seu formato, que se assemelha a uma enorme teia, é adornado por folhas de sulfite em branco, cuidadosamente grampeadas. Ao todo, a instalação ocupa três andares do centro cultural.

“A ideia de Chiharu é que o público seja absorvido por essa grande trama e que, por meio dela, consiga visualizar a si mesmo e fazer uma viagem em suas memórias”, explica Tereza de Arruda, curadora da obra e, de certa forma, amiga íntima da artista. Ambas moram em Berlim, e Tereza visita com frequência o ateliê de Chiharu. Nos últimos dez anos, ela já organizou outras exposições da artista em São Paulo e na Alemanha.

Além da instalação, outras obras de Chiharu também estão expostas ao público, que poderá acompanhar momentos importantes de sua carreira como artista. É o caso da série Se Transformando em Pintura, de 1994, em que ela ‘banhou’ o próprio corpo com uma tinta tóxica.

A artista, que tem formação em pintura clássica, não se restringe apenas à tela para criar seu trabalho. “Ela sabia que o suporte tradicional não era o suficiente para a sua criação artística, o que a fez buscar outros caminhos”, explica Tereza. 

No entanto, é interessante destacar que a simplicidade e a tradicionalidade da criação manual são características presentes em seu modo de fazer arte.

Nesse processo de experimentação, alguns detalhes passaram a se destacar em suas criações, como o uso das cores (quase sempre o branco, o preto e, majoritariamente, o vermelho), o constante uso de chaves (como na instalação A Chave na Mão, do Festival de Veneza em 2015) e os barcos, que, conforme explica Tereza, “não representam um caminho, mas, sim, duas mãos unidas em um ato simples de bondade, doação e generosidade”.

Tudo isso faz de Chiharu uma artista singular, que muito mais interessada pelo universo das emoções e das relações humanas, se abstém de fazer discussões políticas em suas obras.

“Quero que as pessoas se sintam livres para sentir o que elas quiserem, quero despertar suas emoções. O significado é aberto, para que cada um vivencie intimamente da forma que interpretar melhor”, diz, aos sussurros, uma tímida Chiharu, quando questionada sobre o que queria causar com suas obras. Ao público, fica o convite para viajar pelo mundo do autoconhecimento.

SERVIÇO

LINHAS DA VIDA

CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL

RUA ÁLVARES PENTEADO, 112 - CENTRO

4ª A 2ª, DAS 9H ÀS 21H

ENTRADA GRATUITA

ATÉ 27/01

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