Finbarr O'Reilly/Reuters
Finbarr O'Reilly/Reuters

Chicletes grudados no chão de Londres se transformam em arte urbana

Há 15 anos, Ben Wilson percorre Londres esculpindo e pintando pedaços de goma de mascar jogados no chão

Redação, AFP

13 de fevereiro de 2020 | 10h30

Deitado sobre uma ponte que cruza o rio Tâmisa, Ben Wilson dá os últimos retoques em sua mais recente obra: uma pintura em miniatura feita sobre um chiclete grudado na estrutura de aço.

Há 15 anos esse inglês de 57 anos percorre Londres esculpindo e pintando pedaços de goma de mascar jogados no chão pelos pedestres.

Mais que um passatempo incomum, se trata de "arte" urbana, explica em entrevista à AFP em uma manhã de inverno, enquanto retoca a obra grudada em um dos grandes degraus da escadaria entre a Catedral de Saint Paul até a Millenium Bridge, ponte de pedestres da capital britânica.

"É triste ver o impacto que os seres humanos podem ter no meio ambiente e a quantidade de dejetos que produzimos. Acho que é bom poder criar algo" a partir disso, diz com um pincel nas mãos.

Suas obras, pouco maiores que uma moeda, estão por toda a Millenium Bridge e em torno da famosa catedral. E se não olharmos muito de perto podem passar despercebidas.

Muitas são representações em miniatura da catedral de Saint Paul. Outras, desenhos de cores brilhantes, quase pscicodélicos, muitas vezes datados e com dedicatória.

Wilson nasceu no norte de Londres e começou sua carreira esculpindo em madeira, antes de se concentrar em chiclete seco. Com o passar dos anos esse passatempo incomum lhe rendeu o apelido de "chewing-gum man" (homem-chiclete).

Seu ritual é sempre o mesmo. Localiza um chiclete antigo grudado em uma calçada e abre seu material: um cobertor coberto de manchas coloridas sobre o qual deita, seus frascos de tinta acrílica, um pincel, um isqueiro que utiliza para amolecer o chiclete e uma lata de verniz que aplica sobre a obra quando terminada.

Os pedestres, acostumado a ver esse artista excêntrico manchado de tinta deitado na Millenium Bridge em qualquer estação do ano, se aproximam para falar com ele ou fazer uma foto.

"É a pessoa que joga o chiclete a culpada da degradação", diz Wilson. "Eu transformo o dejeto em arte, é uma forma de reciclagem", diz, reconhecendo que um de seus principais desafios é não pintar a própria ponte, porque poderia ser detido por degradação.

Wilson afirma ter pintado "milhares e milhares" de chicletes e se vangloria de ter disseminado essa "arte oculta" pelas calçadas e pontes de toda a capital.

Ele diz que vive de suas colaborações com artistas e galerias, mas que recusa qualquer remuneração de quem pede que ele dedique uma de suas obras.

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