Centro Cultural oxigena programação

Instituição acaba de abrir a 3ª Mostra de seu Programa de Exposições e ainda apresenta simultaneamente outras atrações

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

02 de dezembro de 2008 | 00h00

O Centro Cultural São Paulo passa por um momento de revitalização na área de artes visuais este ano, com uma série de projetos simultâneos centrados na produção contemporânea. Num passeio pela instituição, vê-se uma série de mostras e trabalhos em cartaz, não apenas no piso Caio Graco, onde as exposições geralmente ficam mais concentradas, mas se espalhando também para outros espaços do prédio, que recebe um público variado e amplo até mesmo por causa do perfil da instituição. Agora, além da 3ª Mostra do Programa de Exposições 2008, com individuais de Carlos Ribeiro, Cristiano Lenhardt, Felippe Segall, Fernando Velázquez, Marina Camargo, Naiah Mendonça, Paulo Almeida e Yukie Hori, ainda é possível ver no CCSP o programa Paradas em Movimento, com vídeos da área de dança; a exposição Passagens Secretas, em que 11 artistas desenvolveram trabalhos a partir de diálogo com dez curadores; Os Salões de Maio (essa de caráter histórico, sobre o evento que ocorreu em 1937, 1938 e 1939); e obras de Marcelo Cidade, Jarbas Lopes, João Loureiro e Fernando Limberger, convidados do Programa de Exposições 2008.Criado em 1989, o tradicional Programa de Exposições, voltado para jovens ou novos criadores, está para comemorar daqui a pouco seus 20 anos . É um projeto importante, marco entre as ações no circuito para a revelação de novos criadores. Artistas de todo o País se inscrevem e geralmente apenas 21 são selecionados por uma comissão a cada edição - e todos eles têm a oportunidade de realizar, ao longo do ano, suas mostras individuais na instituição. O júri do atual programa foi formado pela crítica e curadora Paula Alzugaray, pelo educador Paulo Portella Filho e pela artista Sandra Cinto. A 3ª (e última) Mostra do Programa de 2008 é heterodoxa, com criações no campo da videoinstalação, vídeo, pintura, desenho e fotografia.A videoinstalação da artista Naiah Mendonça é uma das obras de destaque da mostra. Trabalho sem título, realizado este ano, ele se aproveita das características físicas, da arquitetura aberta e de paredes de vidro do CCSP para ganhar ainda mais potência: é numa sala aberta também, construída com três paredes, sendo uma delas de tecido, que é projetado um enigmático vídeo. Quem passa pelo trabalho pode pensar que nada está acontecendo ali, mas vale a pena esperar. Sobre o tecido, todo branco e quase transparente, surge, inesperadamente, a imagem, diga-se, sem áudio: uma mulher (apenas seu rosto, em escala maior) sopra uma fumaça densa e efêmera e desaparece. Tudo acontece numa atmosfera de imaterialidade, mas, ao mesmo tempo, essa aparição entre o real e o irreal (porque no tecido também é possível ver a cidade ao fundo e porque quem está na rua também vê a imagem em seu cotidiano). Como diz a artista, o trabalho remete aos mitos em torno da idéia do sopro (de criação) ou dos ventos. "Mas ele pode ser do bem e do mal, é ambíguo", afirma.Ao mesmo tempo, vale destacar também a instalação de Carlos Ribeiro, formada por dezenas de desenhos feitos com caneta esferográfica sobre papel, que são retratos falados imaginados por ele - a força da obra sobre a violência se faz ainda com alvos perfurados com balas empilhados no centro da sua sala; e as duas pinturas do projeto conceitual de Paulo Almeida, que cria nelas a representação do próprio espaço do CCSP e das três mostras do Programa de Exposições de 2008. Serviço3.ª Mostra do Programa de Exposições 2008. CCSP. Rua Vergueiro, 1.000, 3383-3402. 3.ª a 6.ª, 10 h/ 20 h; sáb. e dom. até 18 h. Grátis. Até 15/3

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