Hélvio Romero/ Estadão
Hélvio Romero/ Estadão

Cavaletes de vidro devem voltar ao Masp em 2015

Projeto de Lina Bo Bardi para a exposição permanente do Museu voltará a ser utilizado

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2014 | 11h51




A volta dos cavaletes de vidro projetados pela arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992) para a exposição das obras do acervo permanente do Masp foi anunciada nesta quinta-feira pelo novo diretor-artístico da instituição, o curador Adriano Pedrosa, numa coletiva em que também revelou sua intenção de retomar o vão livre do museu para a realização de exposições temporárias. Ocupado aos domingos por uma feira de antiguidades, o Masp promoveu no passado mostras de grande porte no vão livre, entre elas uma de Nelson Leirner, em março de 1969, a primeira na sede do museu da avenida Paulista, inaugurada um ano antes.

A remontagem de outras exposições históricas está nos planos de Pedrosa, entre elas A Mão do Povo Brasileiro, também realizada em 1969 com curadoria de Lina Bo Bardi, que levou a arte popular pela primeira vez ao museu. Essa é uma preocupação do novo diretor-artístico, que quer implantar no Masp um segmento dedicado à arte indígena, contextualizando essa produção não como étnica, mas como arte brasileira.

Pedrosa vai trabalhar com quatro curadores adjuntos independentes, dois deles dedicados à coleção de arte internacional. Com um acervo calculado em 8 mil obras e avaliado em mais de US$ 2 bilhões, o Masp busca novas parcerias com museus estrangeiros . O novo diretor-presidente da instituição, Heitor Martins, garante, porém, que não vai usar a coleção como moeda de troca para obter recursos financeiros. Vai, sim, dar prosseguimento aos empréstimos de obras do acervo a museus internacionais, como o Cézanne que segue para uma mostra no Metropolitan de Nova York. “Mas vamos rever os limites do prazo para empréstimo”, disse Martins. Hoje, muitas obras ficam meses fora do museu, prejudicando a visão conjunta da coleção.

O diretor artístico Adriano Pedrosa ressaltou que a volta dos cavaletes, embora não seja definitiva - “para não engessar as mostras do museu”-, deve atender a uma das metas do serviço educativo do Masp, a de democratizar o acesso às informações sobre as obras expostas. Nos cavaletes de Lina Bo Bardi, a parte traseira trazia dados sobre os artistas, as pinturas e a época em que foram realizadas. O arquivo do museu será usado para fornecer mais dados, como a data de chegada dessas obras ao Masp, por exemplo.

O diretor-presidente Heitor Martins admitiu a escassez de recursos do museu para promover mudanças significativas já no próximo ano. A programação de 2015 não está definida. Os curadores adjuntos começam a trabalhar em novembro, segundo Pedrosa. A descentralização da curadoria foi justificada por Martins como uma forma de atender à diversificada coleção do Masp, que, desde 1947, quando foi fundado por Assis Chateaubriand e Pietro Maria Bardi, sempre se pautou pela multiplicidade de estilos e escolas, embora a arte europeia seja sua espinha dorsal. “Não acredito que um só curador possa dar conta de todo o acervo, que inclui arte africana e asiática”, argumentou Martins.

Obras do último segmento, que somam 2 mil peças da coleção do diplomata Fausto Godoy, cedidas em comodato ao Masp, ainda não foram exibidas ao público por falta de espaço. O prédio anexo ainda está em disputa judicial com a Vivo, mas as conversas para selar um acordo, segundo Martins, “estão adiantadas”.

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