Cauã Reymond fuma para achar a cor de personagem

Para viver o ?cinza? e frustrado Leo, o ator foi apresentado ao teatro nô pelo diretor José Belmonte

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

14 de agosto de 2009 | 00h00

Cauã Reymond explica a origem do seu nome. "Meus pais eram hippies e minha mãe é francesa. Deu essa mistura." Astro de TV, ele esculpiu a imagem de sexy e, não tenhamos medo da palavra, gostoso. As meninas sonham com ele e Cauã poderia estar fazendo filmes bem comerciais para explorar a imagem. Só que ele preferiu seguir o caminho mais árduo. Cauã adora o cinema de autor. É o que gosta de ver - e fazer.Ele está com dois filmes em cartaz - À Deriva, de Heitor Dhalia, ao qual se soma, a partir de hoje, Se Nada Mais Der Certo, de José Eduardo Belmonte. Recentemente, fez Falsa Loira, com Carlos Reichenbach. Em Cannes, após a exibição de À Deriva, o repórter havia observado para o ator - ele aparece pouco no começo, mas quem conhece Cauã, e sua imagem, sabe que o diretor Dhalia o está guardando para o final e se a mocinha vai perder a virgindade... "Foi por isso que quase perdi o papel", ele explica. "Heitor achou que a maioria do público ia pensar assim. Fiz teste e ele terminou me chamando bem em cima da hora."Por mais aplicado que seja, não descarta o fator sorte. "Estou muito feliz como as coisas vêm ocorrendo em minha carreira." Fala muito na cor do personagem. Para cada um, imagina uma tonalidade. Qual é a cor de Leo, que interpreta em Se Nada Mais Certo? "O Leo é cinza, frustrado, impotente." Como se preparou para fazer um personagem tão diverso dos que lhe deram fama na TV? "Fiz muito exercício com o Belmonte. Trabalhamos o físico antes de inaugurar a fala. Belmonte me introduziu ao teatro nô."Teatro, cinema. Por que ele enveredou por esse caminho? "Não queria ficar só na TV. Poderia estar fazendo teatro, mas o cinema me escolheu." Belmonte, cineasta de Brasília, gosta de trabalhar em equipe. Já existem os atores do Belmonte. Como foi, para Cauã, se integrar ao grupo? "Muito bacana, gosto do desafio de me integrar com pessoas de escolas diferentes." Desafio é uma palavra que ele usa muito. "Diante do que é difícil ou desconhecido, a gente recua, desiste, ou segue em frente. Eu sigo." Para fazer Leo, e desenvolver por ele o que chama de ?compaixão?, Cauã Reymond conta que teve de mudar a própria energia, em busca da ?cor? do personagem. "Fui morar em São Paulo, para sentir a cidade (NR: ele conversa com o repórter pelo telefone, do Rio). Parei de fazer exercícios. Comecei a beber, a fumar." Por que fumar foi importante? "Léo é cinza, não disse? Da cor da fumaça..." O mais curioso é o que ele revela. "Léo me preparou para fazer o Haley de A Favorita." O cinema exigente que ele faz o enriquece também na TV.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.