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Caso de amor terminal inspirado em Philip Roth

Fatal, da catalã Isabel Coixet, adaptação de livro de um dos mais conhecidos escritores norte-americanos, fala de um casal separado pela idade e pela doença

Luiz Zanin Oricchio, O Estadao de S.Paulo

13 de outubro de 2008 | 00h00

Parece mais ou menos inevitável o comentário que Fatal não tem a mesma força de Animal Agonizante (Dying Animal), novela de Philip Roth em que se baseia. Verdade, mesmo porque é difícil rivalizar com a densidade dos últimos escritos breves de Roth, embora Dying Animal também não seja um dos pontos máximos da prosa de maturidade do autor. Mas também sabemos que a pior maneira de analisar um filme é compará-lo com a obra literária na qual se inspira. Veja o trailer de Fatal Então, deixando para lá esse vício avaliativo, é melhor ver Fatal como o belo filme que é, dirigido pela catalã Isabel Coixet (de A Vida Secreta das Palavras). Tal como neste filme anterior, também neste Isabel examina o tema da dificuldade do relacionamento amoroso. Se naquele era a incapacidade sensorial que se apresentava como barreira (o personagem masculino, vivido por Tim Robbins, estava temporariamente cego), aqui o que joga contra o casal é a diferença de idades. Ben Kingsley faz David Kepesh, professor de literatura, sessentão bastante amigo dos alunos - e das alunas, claro. Uma delas é a encantadora cubana Consuelo (Penélope Cruz). O filme é basicamente o retrato desse amor entre o homem mais velho e a moça, com todos os conflitos que a assimetria entre comporta: a insegurança, o ciúme, o medo do futuro, o sexo. O complicador vem sob a forma da doença e, por extensão, o temor à morte, mas de uma maneira que talvez o espectador não espere. Isabel Coixet reafirma as qualidades que já mostrara em seu trabalho anterior, em especial um sentido de dramaturgia que parece bastante sólido, embora pouco imaginativo. Sem qualquer preocupação em ser inventiva na linguagem cinematográfica, limita-se a fazer a emoção fluir através das possibilidades dramáticas dos atores. Pode ser o suficiente, dependendo do ponto de vista de quem vê.

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