Carrell, Juliette e a união em família

Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada confirma a preferência do diretor e roteirista Hedges pela confusão dentro de casa

Crítica Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

03 de novembro de 2008 | 00h00

Quem acompanha a trajetória do roteirista e diretor Peter Hedges sabe que ele adora famílias disfuncionais. A de Gilbert Grapes - Aprendiz de Sonhador, de Lasse Hallstrom, era bem complicada e lhe valeu uma indicação para o Oscar de roteiro. Em sua estréia como diretor, Do Jeito Que Ela É, de 2003, ele mostrou Katie Holmes como a ovelha negra de uma família marcada pelo ressentimento, cujos conflitos (e a reconstrução) ocorriam durante a festa do Dia de Ação de Graças. Veja trailer do filme Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada, que estreou na sexta-feira, conta a história de outra reunião familiar. Steve Carrell faz um viúvo, pai de três filhas. Há quatro anos ele perdeu a mulher e ainda não conseguiu fazer seu luto, para encarar a possibilidade de um recomeço. Carrell briga com uma filha porque acha que ela é muito jovem para dirigir um carro, com outra porque é muito cedo para saber se está mesmo apaixonada pelo garoto que conheceu há apenas três dias e só tem apoio da mais jovem das três, um docinho que, para complicar, ele vai decepcionar num momento-chave da trama (e da vida).Steve Carrell chega à casa dos pais com as meninas. Ele sai para comprar o jornal e encontra esta mulher incrível, por quem se sente instantaneamente apaixonado - e que é interpretada por Juliette Binoche. Ocorre que, na seqüência, Carrell descobre que ela é a nova namorada do irmão. Consciente, ou inconscientemente, ele começa a sabotar a relação e até a filha se diz embarçada ao descobrir que o pai está flertando com a cunhada. Na hora H, Carrell vai precisar da ajuda das três filhas para resolver a parada.Hedges sabe escrever diálogos e possui boa capacidade de observação. Steve Carrell e Juliette Binoche formam uma dupla um tanto inesperada, mas boa - e Dianne Wiest, a mais premiada das atrizes de Woody Allen (ganhou duas vezes o Oscar de coadjuvante em filmes por ele dirigidos, Hannah e Suas Irmãs e Tiros na Broadway), instala-se de vez no posto de matriarca da família. Tudo é muito simpático, mas o filme seria melhor se Hedges não fosse tão injusto com o irmão de Carrell. Para que o happy end se instale, ele tem de ser infantilizado, e é. Duane Cook tem o psysique du rôle para o papel. Vale lembrar que, em outra comédia recente, Tudo em Família, Sarah Jessica Parker ia visitar a família do noivo e se apaixonava... pelo irmão dele. Eu, Meu Irmão pode ser a versão masculina daquele filme.

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