Carga Explosiva 3 mantém a adrenalina em ritmo alucinante

Franquia de Besson tem toques de inteligência e originalidade, raros em Hollywood

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

16 de dezembro de 2008 | 00h00

Luc Besson talvez seja o mais odiado dos diretores e produtores franceses. Tendo escolhido fazer cinema com as armas de Hollywood, ele conseguiu se tornar conhecido - e respeitado - no próprio cinemão, e isso é coisa que a crítica não perdoa facilmente. Filmes com Jet Li e Jason Statham ornamentam seu currículo de produtor. Jet Li é o maior lutador do cinema atual. Jason Statham, o maior herói de ação.A grande vantagem de se assistir a ?séries? - hoje em dia elas são chamadas de ?franquias? - é que o espectador às vezes percebe antes que o personagem aonde a narrativa quer chegar. Jason Statham é um transportador - de novo - em Carga Explosiva 3, mas com uma engenhoca explosiva atada ao pulso ele demora para perceber que a carga, afinal, não está no porta-malas do carro envenenado, mas é a garota russa sentada ao seu lado, no banco da frente. Russa, não - ucraniana, como Natalya Rudakova faz questão de ressaltar, citando as diferenças entre as duas nacionalidades.Carga Explosiva 3 é filme para consumo de massa. Tem cenas espetaculares de ação dirigidas pelo especialista asiático Cory Yuen - o carro salta de uma ponte sobre um trem; há um quebra-pau eletrizante numa oficina - e, sendo Besson europeu, permite-se alguns toques de inteligência e/ou originalidade que você não encontra na produção de Hollywood. Você deve se lembrar da diva alienígena de O Quinto Elemento, que o próprio Besson realizou - aqui, a direção é creditada a Olivier Megaton e a trama diz respeito a uma gangue que pressiona político da Ucrânia para permitir a circulação de lixo atômico pelo país. A russa, perdão, ucraniana, é chata - faz parte da trama -, mas Jason é um ?ladies man? e não o tradicional machão assexuado à Stallone ou Schwarzenegger. Ele tem um amigo inspetor, interpretado pelo francês François Berléand, que possui, não por acaso, as melhores falas. Uma discussão sobre Jerry Lewis, outra sobre Dostoievski - e o mórbido pessimismo da alma russa. Nada disso tem a ver com ?arte?, mas como espetáculo de ação a adrenalina de Jason Statham continua não negando fogo. Na última, Besson flerta com Howard Hawks. O esporte favorito do homem, lembram-se? Uma pescaria, claro, mas olha quem está na canoa. A ucraniana, que não resistiu ao strip-tease feito pelo herói (outra ?inovação? de Besson).

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