Alessandro Scotti
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Cantor Bryan Adams revela habilidade como fotógrafo ao clicar grandes nomes da música

Canadense é autor das imagens do Calendário Pirelli 2022, que tem como modelos Cher, Iggy Pop e Jennifer Hudson

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2021 | 12h00

Conhecido mundialmente como cantor, o canadense Bryan Adams, na verdade, é um experiente fotógrafo - além de ter criado uma revista de arte, Zoo, ele é autor de vários livros de imagens como American Women, Exposed e, principalmente, Wounded: The Legacy of War, sobre soldados feridos em guerras. Foi com tal bagagem que ele assumiu com tranquilidade a tarefa de fazer as fotos para o Calendário Pirelli de 2022, peça com finalidade promocional da empresa italiana mas que se tornou objeto de desejo desde sua criação, em 1964.

“Minha intenção foi capturar momentos da vida, em cenários como um hotel ou mesmo um lugar aberto”, disse Adams ao Estadão, em conversa com a participação de repórteres da China e da Turquia. “Ao contrário de outros trabalhos, nesse havia uma motivação clara e um determinado grupo de modelos.

Adams foi inicialmente convidado para fazer as imagens do calendário de 2021, mas a pandemia evitou que o projeto fosse executado no ano passado. Retomado o convite, ele aceitou, especialmente empolgado com o tema que conhece bem: On the Road, ou a vida em constante viagem. “Estou na estrada há muitos anos, pois meu pai foi diplomata, o que nos obrigava a viajar constantemente. E, como artista, estou há 45 anos sempre em movimento ou passando horas em hotéis ou nos camarins - para mim, tornou-se algo vital”, contou ele, que até compôs uma canção especialmente para o calendário.

Foram duas sessões de fotos: dois intensos dias em junho, em Los Angeles (nas ruas da cidade americana, além do Palace Theatre e do hotel Chateau Marmont), seguido por outro dia no Hotel La Scalinatella, em Capri, na Itália, no final de julho. A lista de celebridades que posaram para seus cliques é invejável: as cantoras Cher, Jennifer Hudson, Normani, Rita Ora, Bohan Phoenix, St. Vincent, Saweetie e Kali Uchis, além do cantor Iggy Pop. “Foi um grupo muito bom, dedicado. Cher, por exemplo, veio pronta para as fotos.”

Todos os clicados simularam momentos de bastidores a que eles mesmos estão acostumados. Bryan Adams se sente à vontade para fotografar celebridades, pois sua lista de clicados é reluzente - vai de Mick Jagger e Amy Winehouse até Victoria Beckham e Naomi Campbell, sem se esquecer de Elizabeth II, rainha da Inglaterra, que ele retratou para celebrar seu Jubileu de Ouro. Ele reconhece, no entanto, que ainda não atingiu o patamar de grandes nomes da fotografia, mas sabe fazer bem o trabalho ao criar uma cumplicidade com seus modelos: quando o pacto está firmado, o resultado normalmente é compensador.

“Comecei a fotografar antes mesmo de iniciar minha carreira musical, mas sou mais conhecido pelas minhas canções”, comenta ele. “Por isso, uso muito a câmera para fazer retratos para minha coleção pessoal.” Perguntado pelo Estadão se cria mentalmente canções para as fotos que tira, Adams disse que não. “Embora vejo as duas artes como simbióticas no meu trabalho: a fotografia me impulsiona para o silêncio e à reflexão. E poder fotografar alguém é um privilégio, pois funciona como uma dança silenciosa.”

A ausência do calendário para este ano de 2021 não foi o primeiro na história do icônico objeto - criado em 1964, teve uma breve parada entre 1975 e 1983, até estabelecer uma periodicidade e se tornar algo mais que uma luxuosa peça publicitária para a empresa italiana de pneus: item de colecionador, o objeto reflete também os anseios da sociedade na época, especialmente quando o fotógrafo convidado busca algo maior que simplesmente apresentar a nudez. Em 2015, por exemplo, a americana Annie Leibovitz, que se notabilizou como fotógrafa na revista Rolling Stone, escolheu mulheres que se destacavam em sua atividade, como a tenista Serena Williams. 

Além de Annie, também clicaram para o calendário Pirelli grandes nomes da fotografia mundial como Richard Avedon, Herb Ritts, Bruce Weber, Helmut Newton, Peter Lindberg, Tim Walker, Mario Testino, Patrick Demarchelier e Steve McCurry, além de artistas polêmicos como Karl Lagerfeld ou Terry Richardson.

Por meio de suas lentes, o calendário foi perdendo a característica de apostar principalmente no nu feminino para se transformar no registro da importância social e político de seus modelos. Assim, não causou estranheza quando, em 2015, entre suas páginas despontou uma senhora, Agnes Gund, presidente emérita do Museu de Arte Moderna de Nova York, ou mesmo a produtora de cinema Kathleen Kennedy.

Foi um passo decisivo na postura assumida então calendário, que se acostumara a ter emprestada a beleza de modelos como Naomi Campbell, Cindy Crawford, Kate Moss e Giselle Bündchen até de estrelas do cinema como Nicole Kidman, Penelope Cruz, Sophia Loren e Jessica Chastain.

 

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