Canções de Josh Rouse ganham força ao vivo

Em sua primeira apresentação no Brasil, cantor americano levantou o público com sua banda, fazendo competente mistura de folk, country e rhythm?n?blues

Crítica Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

18 Agosto 2008 | 00h00

Uma noite depois da badaladíssima volta de João Gilberto, o americano Josh Rouse fez sua estréia no Brasil. Quanta diferença entre ele e aquele que é um de seus ídolos brasileiros. Pouco conhecido no País, Rouse não chegou a ter público que lotasse o teatro do Sesc Vila Mariana, na sexta-feira, mas faltou pouco. Os fãs não tiveram de esperar 97 minutos para o show começar, mas apenas 10. Em vez das 29 de João, Rouse pinçou 15 canções de seus álbuns mais recentes em uma hora e meia, bis incluído. Foram dois shows muito bacanas na mesma semana. Daqueles para entrar para a lista "dos melhores do ano que ?ninguém? viu". Sem celebridades ou legiões de convidados, Rouse também teve platéia seleta, que se comportou como quem sabe ouvir música. Quando cantou a solicitada balada Sad Eyes teve um silêncio digno de João. Vale registrar também que a disputa para comprar os CDs do cantor depois do show foi tão intensa, proporcionalmente, claro, quanto a guerra para adquirir um ingresso para ver João. Foi um efeito compensador do show de Rouse, que a certa altura revelou-se surpreso e satisfeito porque a platéia demonstrava conhecer suas canções com pedidos, já que teve apenas um álbum lançado no Brasil, Home, de 2000. "Ah, a internet", brincou ele, sempre simpático e falante. "Mas vocês também podem comprar." O público, feliz, atendeu ao pedido. Rouse é bom de se ouvir em CD, mas certas canções, como Pilgrim e Carolina ficam melhores ao vivo. Ganham com a pegada firme de rhythm?n?blues do baixista James Haggerty e do baterista Marc Pisapia e ótimas seqüências instrumentais, em que o tecladista Mike Cruz (que também se revezava na slide guitar) quase encarna um Jerry Lee Lewis, ?sem pisar nas mãos?. Com o carismático Rouse envolvendo o ambiente do teatro (ideal para seu estilo) com sua voz calorosa e suave e alternando-se nas guitarras elétrica e acústica (ele até tocou gaita), o show não teve muita variação de clima. Mas a ausência de solos não tirou o brilho de nenhum dos músicos. Rouse pronuncia as palavras com uma clareza que a maioria dos cantores das novas gerações e um de seus ídolos - Bob Dylan - desconhecem. Seus CDs deveriam ser adotados como material didático de professores de inglês, como Carpenters e Simon & Garfunkel foram nos anos 1970. É com a sonoridade dessa década, aliás, que o cantor e compositor constrói sua música retrô. Diferentemente de João Gilberto, Rouse não inventa muito além do que o passado tem a oferecer. Mas ao reciclar o folk-country-rock esbanja competência e brinda os fãs com canções irresistíveis, como Winter in the Hamptons, Directions, Love Vibration, Sweetie e Hollywood Bass Player. Depois desse show, se quiser voltar, como disse que pretendia, pode crer que será bem recebido por um número maior de fãs.

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