Campo de Estrelas mostra como enfrentar o medo

Thales Guaracy usa a própria experiência para narrar a luta contra o câncer

Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

04 Outubro 2007 | 00h00

A terrível certeza da finitude chega para o publicitário Ivan na forma de um câncer na bexiga. Profissional bem-sucedido e com muitos caminhos ainda por trilhar, ele descobre, aos 40 anos, que tudo pode, de repente, se esvanecer. E, apesar dos modernos recursos para se combater a doença, a medicina parece ainda não saber como aliviar totalmente os danosos efeitos psicológicos. Eis o ponto de partida de Campo de Estrelas (Globo), romance que Thales Guaracy lança hoje à noite na Livraria da Vila da Alameda Lorena. Ivan é, na verdade, seu alter ego - entre 1999 e 2001, Guaracy lutou contra um pólipo descoberto em sua bexiga. E, se fisicamente encontrou diversos recursos de combate graças a um eficiente tratamento médico, mentalmente necessitou de uma grande força interior para enfrentar o espectro da morte. ''''Este romance é sobre o medo, como enfrentá-lo, ter e manter a fé no momento em que mais precisamos dela'''', afirma. O fortalecimento mental, portanto, é o caminho encontrado por Ivan para contrabalançar seu processo de cura, traduzido no desejo de fazer o percurso de Santiago de Compostela ao lado do pai, também preocupado com a finitude graças ao avançar da idade. A viagem não se realiza, mas Ivan se agarra às memórias: lembra-se de outra peregrinação, a Machu Picchu, quando ainda era adolescente, realizada com o pai. As lembranças se misturam com o surgimento de um estranho andarilho, misto de rei inca, mendigo e anjo, que os vigiara naquela jornada e que promoverá a ponte entre passado e presente. Testemunho da força representada pela determinação humana em situações extremas, Campo de Estrelas ultrapassa o reducionismo da literatura de auto-ajuda para se firmar como um emocionado relato das grandes questões humanas. Guaracy consegue o equilíbrio ao revelar tantos as mazelas exteriores (como a miséria dos países latino-americanos) como as interiores, trazendo um relato humano.

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