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Caixa reúne cinco fotógrafos e imagens que vão de 1919 a 1974

Lançamento do Instituto Moreira Salles traz Alice Brill, Guilherme Santos, Jorge Bodanzky, Luciano Carneiro e Otto Stupakoff

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

18 de dezembro de 2015 | 04h00

São cinco ensaios sem pontos em comum, realizados entre 1919 e 1974, no Brasil, na Coreia e no Vietnã. O que une os cinco fotógrafos reunidos na caixa A Hora e o Lugar, organizada por Sergio Burgi e Samuel Titan Jr., ambos do Instituto Moreira Salles (IMS), é a captação de imagens documentais de uma época e o registro do cotidiano de algumas capitais nesses países.

Algumas viveram conflitos históricos, como a guerra da Coreia, vista pelo cearense Luciano Carneiro (1926-1959), ou a ofensiva do Tet contra Saigon, capital do Vietnã do Sul, visitada às vésperas da invasão (1968) por Otto Stupakoff (1935-2009), então um prestigiado fotógrafo de moda.Entre os cinco volumes da caixa, encontram-se ainda o do carioca Guilherme Santos (1871-1966), da alemã Alice Brill (1920-2013) e do paulistano Jorge Bodanzky, o único vivo entre os profissionais do livro com acervo sob a guarda do IMS.

Desses, o menos conhecido talvez seja Guilherme Santos, introdutor, no Brasil, da foto estereoscópica (que, como indica o nome, é feita com uma câmara com duas objetivas em ângulos ligeiramente diferentes, para criar um efeito de profundidade). A foto mais antiga em seu livro, de 1919, mostra uma “mimosa”, em pleno carnaval carioca, sentada no banco traseiro de um calhambeque. Santos gostava de fotografar gente elegante. Registrou corsos com a classe média alta carioca em desfile pela Avenida Rio Branco, a mesma que seria palco da Revolução de 1930.

São as imagens dessa reviravolta política que revelam a inclinação de Santos pelo fotojornalismo. Ele registra as manifestações populares nas ruas e os ataques contra jornais como A Gazeta e Vanguarda, na mesma Avenida Rio Branco dos carnavais. A caixa segue a ordem cronológica do registro das imagens. Assim, o volume seguinte, dedicado ao trabalho fotográfico de Alice Brill, mostra São Paulo em plena expansão urbanística, derrubando velhos casarões para construir modernos conjuntos arquitetônicos, entre 1949 e 1954, ano do quarto centenário da metrópole.

Para comemorar a data, o então diretor do Masp, Pietro Maria Bardi (1900-1999), encomendou a Alice Brill uma série que traduzisse esse desenvolvimento – as imagens do livro fazem parte dela e mostram a cúpula e as torres da Catedral da Sé em construção (em 1953) e o nascimento de edifícios como o Conde Prates, no Vale do Anhangabaú (em 1954). A fotógrafa, que chegou com a família ao Brasil em 1934, trabalhou com Bardi no registro de várias exposições do Masp.

O terceiro volume da caixa, dedicado ao cearense Luciano Carneiro, mostra o jovem fotógrafo, aos 25 anos, fotografando Seul semidestruída, em 1951. Carneiro conseguiu uma credencial junto ao governo norte-americano para fotografar a guerra da Coreia, imagens publicadas, na época, pela revista O Cruzeiro, publicação por onde passaram renovadores do fotojornalismo como ele e o piauiense José Medeiros (1921-1990). Carneiro, que morreu jovem, aos 33 anos, num desastre aéreo, tomou parte na operação Tomahawk, em que 3 mil paraquedistas americanos saltaram para cortar a rota de retirada das linhas inimigas.

No quarto volume, Otto Stupakoff também fotografa uma zona de conflito, mas pouco antes da ofensiva do Viet Cong contra o Vietnã do Sul, em janeiro de 1968. Habituado a clicar modelos para a Harper’s Bazaar, o fotógrafo registra a beleza cotidiana de pessoas comuns andando de bicicleta pelas ruas de Saigon.

De volta ao Brasil, o quinto volume destaca o trabalho de Jorge Bodanzky entre 1964 e 1974, antes de se tornar famoso por seu longa Iracema (1976), poderoso registro do impacto da construção da Transamazônica na vida dos brasileiros.

A HORA E O LUGAR

Organização: Sergio Burgi e Samuel Titan

Lançamento: Instituto Moreira Salles (232 págs.,R$ 94,90)

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