Caixa registra o talento múltiplo de Wagner Tiso

Balanço de sua carreira leva o sugestivo nome de Da Sanfona à Sinfônica

Entrevista com

Pedro Henrique França, O Estadao de S.Paulo

19 de novembro de 2007 | 00h00

Maestro, arranjador, pianista e compositor, o mineiro Wagner Tiso desdenha preconceitos. É admirador da quebra de paradigmas na música e do envolvimento do popular com o clássico. É assim que ele sempre trabalhou, desde que começou em meados da década de 1960. E é o que poderão notar aqueles que tiverem oportunidade de adquirir a luxuosa caixa Da Sanfona à Sinfônica (Universal), onde resgata, ainda que parcialmente, sua intensa produção no mundo dos arranjos. E nesses 40 anos de carreira não foram poucas as consagrações.A caixa, que contou com patrocínio da Petrobras, traz quatro CDs divididos em blocos temáticos - e muitos sucessos. ''''Cada um conta uma história diferente'''', aponta o músico. Em Manto das Estrelas, aparecem orquestrações sinfônicas produzidas por Tiso para canções como Corsário, de João Bosco. Em Na Batuta do Sucesso, como o título sugere, estão arranjos e sinfonias para hits, entre outros, de Djavan (Meu Bem Querer), Milton Nascimento (Encontros e Despedidas), Gonzaguinha (Começaria tudo outra vez) e até mesmo sua parceria com Milton, que se tornaria hino de movimentos estudantis - Coração de Estudante. No terceiro disco da caixa, intitulado Futuro do Pretérito, estão novas versões para grandes sucessos, como Sonífera Ilha, dos Titãs, transformada em bossa nova por Adriana Calcanhoto, ou o mix para Se Todos Fossem Iguais a Você (Tom e Vinicius), que surge aqui de uma forma curiosa. Este clássico vem com uma versão ''''tripla'''' na voz de três cantoras - Maysa, Simone e Nana Caimmy - registradas em diferentes gravações e épocas. Por fim, Veredas mostra projetos especiais e homenagens promovidas por Tiso ao longo desses 40 anos.Entre algumas consideradas hoje mais bregas, como Escrito nas Estrelas, consagrada nos anos de 1980 com Tetê Espíndola, e grandes jóias da MPB, fica evidente como o mineiro de fato passeia com desenvoltura pelas distintas vertentes da música popular brasileira, desde que, frisa ele, tenha qualidade. ''''Essa é a minha vida, fazer de tudo um pouco. Sempre foi assim. Não tenho preconceito desde que na minha concepção seja belo'''', afirma. ''''Pode ser congada mineira, choro, moda de viola. Tendo qualidade já valeu.''''Nestes 40 anos, Tiso não gostou, por exemplo, quando Coração de Estudante, marco das manifestações contra a ditadura e a favor das Diretas, se tornou hino da nova República. Outra coisa que tem levado o músico a se afastar das gravadoras é o desprezo delas por novos talentos. ''''Antes, quando as gravadoras achavam que um artista poderia dar certo, investia-se muito. Hoje,as gravadoras lançam um disco, se não der certo acabou.''''

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