Buscando a alma por baixo da eletrônica

Kraftwerk traz pela terceira vez ao País leitura de um mundo ultramecanizado

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2009 | 00h00

Ralf Hütter, cabeça do grupo alemão Kraftwerk, a outra estrela do festival Just a Fest, diz que a tecnologia que o grupo apenas ensaiava em sua gênese, em 1970, hoje permite quase tudo, é um universo sem limites escancarado à frente da música."Antes, não fazíamos muitos shows porque a tecnologia que usávamos para fazer os sons era complexa e nem sempre funcionava ao vivo. Não era fácil. Tínhamos de usar tapes, ritmos gravados. Então, paramos por um tempo até que houvesse a tecnologia adequada. Ela veio com a tecnologia digital", disse Hütter, falando ao Estado há algumas semanas. "Com a tecnologia digital, nós podemos compor, criar novas imagens, novas formas de arte e reproduzir fielmente ao vivo."Por conta disso, o Kraftwerk saiu da toca. Banda que chegou a ficar 18 anos hibernando, fazendo experiências em seu estúdio Kling Klang, em Dusseldorf, eles agora se mostram com mais facilidade e excursionam com frequência. Impulsionados por um bombardeio de imagens que se alimenta das vanguardas geométricas do começo do século 20, seus shows são verdadeiros eventos. O som é eletrônico, mas a criação é instantânea. "A improvisação é uma parte fundamental do processo, porque a música vem de todo lugar, vem da vida cotidiana, do barulho das ruas, do meio ambiente. Não há uma fórmula, é preciso estar aberto. Acho que a nossa música também suscita um apelo espiritual porque a sensibilidade é transparente, é como um raio-x da alma."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.