Nilton Fukuda|Estadão
Nilton Fukuda|Estadão

Brincante se despede com festa da sede que ocupou por 23 anos

Após ser despejado de sua tradicional sede, o teatro-escola de Antonio Nóbrega faz último evento aberto ao público

Marina Vaz, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2015 | 16h00

Dezenas de pequenos quadros forram as paredes que dão acesso ao teatro do Brincante, na Vila Madalena. Em cada moldura, recortes de jornal, fotos antigas, registros de espetáculos e seus bastidores. Entre elas, objetos de madeira e até matrizes de xilogravura usadas por J. Borges em sua literatura de cordel. Ali está um tanto da história do instituto, que se funde com a história de seus próprios fundadores, o casal de artistas Antonio Nóbrega e Rosane Almeida.

Neste domingo, a partir das 17 horas, eles promovem uma festa, aberta ao público e gratuita, com apresentações de música, teatro e dança, inspiradas como sempre nas manifestações populares brasileiras. O evento, batizado de Saideira Brincante, marca a despedida do local que o teatro-escola ocupa desde novembro de 1992.

É o fim de um ciclo, marcado, nos últimos dois anos, por risco de despejo e processos judiciais, após o galpão alugado que ocupa ser vendido a uma grande construtora. Um outro ciclo será iniciado em maio de 2016, quando fica pronta sua nova sede, viabilizada por diversas doações, entre elas uma campanha de financiamento coletivo que arrecadou mais de R$ 100 mil.

Logo de início, o público será convidado por artistas e professores do instituto, os “brincantes”, a participar de algumas atividades. Como um aquecimento para a atração principal, prevista para começar às 18h. “É um show celebração, um show de confraternização que traz um pouco da paisagem cultural do Brincante”, define Nóbrega, durante encontro com o Estado.

Para compor o roteiro da apresentação, o casal reuniu fragmentos de alguns de seus projetos mais marcantes. Por exemplo, cenas teatrais retiradas do espetáculo Brincante, que não só emprestou o nome ao instituto, mas motivou sua fundação, há 23 anos. Após estrear no Festival de Teatro de Curitiba, Nóbrega e Rosane buscavam um palco para fazer temporada em São Paulo. Na falta de local disponível, decidiram abrir seu próprio teatro.

De Segundas Histórias, primeira peça concebida já no espaço atual, saiu uma canção que, no enredo, marca a despedida de dois artistas mambembes. “Achei a letra apropriada para o contexto da festa; faz sentido ela estar presente agora”, observa Rosane, que cantará a música em dueto com o marido.

O show comandado por Nóbrega terá ainda trechos da coreografia Pai, mais recente criação da companhia de dança que leva seu nome. E também participação da primeira turma de alunos do Instituto Brincante. “Foi nosso primeiro trabalho de educação e formação artística, há uns 15 anos”, conta Rosane. “Era um grupo de 19 jovens, alugamos uma casa em Recife e fizemos uma imersão no universo da cultura popular brasileira durante um mês”, relembra.

A Saideira Brincante terá ainda momento dedicado à sua tradicional Sambada, projeto em que professores, convidados e público cantam, tocam e dançam juntos. A noite é encerrada com o Forró do Zé Pitoco, liderado pelo músico que acompanha Nóbrega em seus projetos musicais. “É como se a gente reverenciasse a casa que, durante vários anos, não só me acolheu mas acolheu todas essas pessoas que também vão participar do evento aqui”, define o multiartista pernambucano.

SAIDEIRA BRINCANTE. Instituto Brincante. Rua Purpurina, 428, Vila Madalena, tel.: 3816-0575. Domingo, 22/11, das 17h às 22h. Grátis (retirar ingresso às 17h).

 

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