Bright Eyes, príncipe cool do neofolk

Ele toca pela primeira vez no País dias 16 e 17, no Studio SP, e fala ao Estado

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2008 | 00h00

Há três anos, um garoto de 20 e poucos anos era aclamado nas revistas e jornais americanos de música como ''o novo Dylan'', e seu show no Town Hall, em Nova York, lotara com semanas de antecedência (naquela época, só os canadenses do Arcade Fire estavam tão hypados). Ele era um homem-banda que atendia pelo nome de Bright Eyes e vinha da distante cidade de Omaha, Nebraska.Bom, nos dias 16 e 17 de julho, aquele fenômeno da nova música americana desembarca no templo indie de São Paulo, o Studio SP, na Rua Augusta, para um show ansiosamente aguardado. Mas agora há uma novidade: ele vem a bordo de sua identidade ''secreta'', Conor Oberst, e com grupo novo, The Mystic Valley Band (com o qual acaba de concluir um disco, que será lançado em agosto).Conor ''Bright Eyes'' Oberst chegou antes, mas foi seguido, nos últimos anos, por uma onda de folk singers de diversas estaturas, como Devendra Banhart, Sufjan Stevens, Entrance e outros. Ainda assim, basta ouvir duas ou três faixas de seus discos para ficar claro que ele está em outra esfera. Conor falou anteontem ao Estado, por telefone, de sua casa, numa tarde chuvosa em Omaha.Você sempre fez discos autorais. Ou seja: você é a banda. Agora, deixou de ser Bright Eyes para ser Conor Oberst. O que muda?A maior razão é que considero Bright Eyes como uma banda mesmo, e era um projeto com o qual já fiz seis discos. Resolvi dar um tempo com os parceiros (Mike Mogis e Nate Walcott). Agora fiz algo que é mais pessoal. O disco foi gravado no México no início deste ano, num estúdio montado próximo desse lugar asteca, o Vale Místico. Apenas eu e um amigo, Andy LeMaster. É onde imaginam que extraterrestres venham aterrissar com suas naves de vez em quando. Então, batizei a banda de estúdio com com esse nome, Mystic Valley. Não é o fim para Bright Eyes, mas por agora estou dando um tempo.Seu disco mais recente com Bright Eyes é Cassadaga. Também tem aquele sabor country que há em todos os seus discos.É definitivamente country na influência. É engraçado: sempre fui cercado pela música country. Minha avó era apaixonada, ouvida todos os clássicos, e sou do Nebraska, no meio oeste americano, onde é muito forte esse gênero. Mas eu não gostava quando era mais jovem. Não entendia muito aquilo. Só muito mais tarde, depois da adolescência, redescobri o valor dessa música, de artistas como Hank Williams, Johnny Cash, Gram Parsons. Há muito boa música. Então, minha carreira como compositor ficou marcada. Gosto muito também do folk.Por vezes, sua trajetória lembra muito a de Jack White, dos White Stripes, com seu projeto paralelo, sua fixação nas raízes da música americana, ao mesmo tempo em que é moderno, urbano.Gosto muito do que Jack White faz. Para mim, a melhor música é aquela que transcende a sua época, que resiste ao teste do tempo. Você trabalha muitos elementos, mas eles servem a um conceito, não a um determinado gênero. E o resultado é atemporal.Você também sempre grava com artistas de outras esferas musicais, como o músico M. Wart e a diva do alt-country Gillian Welch.A maioria das pessoas que estão nos meus discos ou são minhas amigas há muito tempo ou se tornaram minhas amigas. E é natural, quando ambos são músicos, acabarem tocando juntos. Adoro a música desses caras, mas também toco com gente que não conheço e acabo gostando.Você tocou há alguns dias com a Los Angeles Philharmonic Orchestra. É um susto para quem se acostumou a vê-lo com seu violão e uma banda semiacústica e tocar com orquestras lembra as viagens daqueles grupos progressivos dos anos 1970.(Risos) É algo novo e desafiador. O desafio é manter o controle do que eu sou entre toda aquela massa de som, e manter-me orgânico com a minha banda. Muitas vezes eu tive vontade, e surgiu essa oportunidade. Estou orgulhoso do resultado. O cara que escreveu os arranjos para a apresentação também estava na banda. Foi delicado. O resultado foi a chance de incorporar a orquestra aos desígnios de uma banda.Há um clipe no YouTube, da música Four Winds, que mostra você em uma situação engraçada, sendo atingido pela raiva de uma platéia. Você escreveu aquilo?Eu colaborei com o diretor. Ele tinha um conceito, nós mudamos algumas coisas. Aquilo acontece, sabia? Muitas vezes a platéia não espera pelo que nós estamos trazendo, e reage de forma não muito agradável. Foi engraçado fazer o vídeo, no começo. Mas sabe como é: vídeos musicais às vezes podem demorar 10 horas, e 10 horas com caras jogando coisas em você pode acabar não sendo tão engraçado assim...Sobre as comparações que faziam entre você e Bob Dylan...Não acredite em tudo que lê nos jornais.

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