Brescia rejeita pedido da China para cancelar mostra de dissidente

Brescia rejeita pedido da China para cancelar mostra de dissidente

Obras de Badiucao, artista crítico ao governo chinês, serão expostas na cidade italiana

AFP, Agência

23 de outubro de 2021 | 16h31

O pedido de autoridades da China à Itália para que se cancele uma exposição com obras de um conhecido dissidente chinês, desencadeou comoção na península e a negativa dos organizadores.

"Para nós, a arte e a liberdade de expressão são uma mistura essencial", escreveu no Twitter Laura Castelletti, a vice-prefeita da cidade nortista de Brescia, após confirmar a celebração da exposição no mês que vem.

O caso foi denunciado pelo jornal local Il Giornale di Brescia, que publica uma carta da embaixada chinesa na Itália dirigia à prefeitura do local em que lamenta que se incluam obras do artista Badiucao em uma exposição, que estariam "cheias de mentiras anti China".

Segundo a embaixada, essas obras "distorcem os feitos e difundem informação falsa", enganam o público italiano e "põem em perigo as relações de amizade entre China e Itália".

Na carta, a China expressa seu "profundo desconcentamento" e pede à prefeitura "que atue rapidamente para cancelar" a exposição.

Contatada pela AFP, a assessoria de imprensa da embaixada da China em Roma não respondeu.

Badiucao, que vive na Austrália, se apresenta nas redes sociais como "um artista sino-australiano perseguido pelo PCC [Partido Comunista Chinês]".

Segundo o jornal italiano La Repubblica, algumas das obras expostas fazem referência à censura imposta sobre a pandemia de covid-19, à opressão contra a minoria muçulmana uigur e aos protestos a favor da democracia em Hong Kong, todos temas sensíveis para as autoridades chinesas.

A China está cada vez mais atenta à divulgação de sua cultura e história e não tem dúvida em interferir em outros países para impor sua própria visão. 

Em outubro de 2020, o museu de história de Nantes, no oeste da França, programou em colaboração com a China uma exposição dedicada à história de Gengis Khan e o império mongol, mas teve que suspendê-la por pressões de Pequim, que pediu pela eliminação de expressões como as palavras Gengis Khan, "império" e "mongol" da exposição.

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