Evaristo Sa/AFP
Evaristo Sa/AFP

Brennand transformou em instituto o espaço que abriga sua obra

"Foi um esforço enorme chegar até aqui, mas nada na vida é fácil", disse o artista plástico

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

19 de dezembro de 2019 | 20h52

Em setembro, Francisco Brennand obrigou-se a sair de casa. O motivo era nobre - na tarde de um sábado, ele descerrou uma placa que tornava oficial um de seus mais belos gestos: a transformação da Oficina Cerâmica Francisco Brennand em um instituto. Com isso, o gigantesco espaço de 15 km localizado no bairro da Várzea, no Recife, tornou-se uma entidade sem fins lucrativos, com o objetivo de preservar a obra do artista e de se tornar um polo cultural da região. 

O ato era estudado fazia meses e contava com a simpatia do artista plástico, favorável aos benefícios da nova entidade, especialmente a formação de parcerias nas áreas de cultura, educação, turismo, tecnologia e inovação. Na prática, significa mais opções ao público, como ofertas de cursos e abertura de espaços com atividades diversas.

“Foi um esforço enorme chegar até aqui, mas nada na vida é fácil - nem pentear o cabelo”, brincou Brennand, diante de uma emocionada plateia, ciente da importância do gesto. Afinal, autor das cerca de 3 mil obras, entre pinturas e esculturas de cerâmicas, que compõem o acervo do espaço, ele contou com o apoio também financeiro do irmão, Cornélio Brennand, e da sobrinha-neta, Mariana Brennand Fortes, que, desde 2002, desenvolve projetos, como o documentário sobre a vida e a trajetória do artista, de 2012.

Com o instituto, mais pessoas poderão conhecer a oficina, cujo espaço surpreende qualquer visitante. Inicialmente, ali era uma antiga fábrica de telhas e tijolos fundada pelo pai do artista plástico, Ricardo de Almeida Brennand, em 1917. O espaço ficou abandonado nos anos 1960 até que, em 1971, nasceu a Oficina Cerâmica Francisco Brennand - ele, que se iniciou na arte ilustrando um jornalzinho de colégio com Ariano Suassuna, foi o responsável pela transformação.

Naquele sábado de setembro, confortado com os novos rumos de seu espaço, o artista cuja imponência também se impunha pela farta barba branca confessou: “A minha parte está feita, e foi feita com minha alma de artista, intransferível. Agora, é com as novas gerações”

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