Braudel

Em O Modelo Italiano, o historiador francês Fernand Braudel diz que, na base do predomínio italiano do Renascimento, mais que a emergência espiritual, está o dinheiro. Em 1450, época de Piero, a alma da Itália é mercantil. Veneza é o centro da prosperidade econômica. Florença, a usina produtora de arte. No entanto, essa irradiação limitou-se ao Ocidente. Pintores não viajavam com a freqüência de agiotas e comerciantes. A superioridade italiana, no século 15, foi durante muito tempo, segundo Braudel, puramente material, mercantil. É a partir de Florença, com seus pintores e arquitetos, que as coisas devem ser postas em seus devidos lugares. Em Florença, arte e pensamento se decidem nas altas esferas. A arte renascentista não seria o que foi sem a dialética autoritária artista-cliente, sugere Braudel. O cliente (leia-se a nobreza) encomenda e impõe seu gosto. O artista obedece. A Europa imita. Mas toda a história da Europa não veio do sul da Itália, adverte o autor, que lamenta não ter lido em vida uma história completa da difusão dos bens culturais a partir da Itália. Tarefa para futuros historiadores.

O Estadao de S.Paulo

01 de dezembro de 2007 | 00h00

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