Brasileiros superam as estimativas

Em Nova York, Portinari foi vendido por três vezes o valor previsto, e Lygia Pape e Hélio Oiticica alcançaram recordes de preço

Tonica Chagas, O Estadao de S.Paulo

02 de junho de 2009 | 00h00

Obras de artistas brasileiros obtiveram resultados considerados excepcionais pelos especialistas da Christie?s e da Sotheby?s, que promoveram leilões de arte latino-americana em Nova York entre quarta e sexta-feira da semana passada. A maioria alcançou valor maior do que a estimativa - até três vezes, como o que foi pago por um cangaceiro pintado por Portinari em 1956, ou com recorde de preço em leilão, como ocorreu com trabalhos de Lygia Pape e Hélio Oiticica. O maior preço entre todos os lotes foi pago por Fuego en el Batey, quadro de 1943 do cubano Mario Carreño, vendido na Christie?s por US$ 2,188 milhões.Na Sotheby?s, o lote que teve o preço mais alto foi Niña con Rebozo, do mexicano Diego Rivera, vendido por US$ 794,5 mil, bem acima dos US$ 450 mil que se calculava como maior valor para o quadro. Mas aquele em que os leiloeiros da casa mais apostavam, Chiki, ton Pays, da inglesa radicada no México Leonora Carrington, pintado em 1944 e avaliado entre US$ 1,2 milhão/US$ 1,6 milhão, não atraiu lance suficiente para ser vendido.Em compensação, um quadro de Leonora vendido na Christie?s marcou recorde para obra dessa artista adquirida em leilão. The Giantess, conhecido também como The Guardian of the Egg e pintado por volta de 1947, tinha estimativa entre US$ 800 mil e US$ 1,2 milhão e foi vendido por US$ 1,48 milhão. Anteriormente, o recorde para Leonora em leilão era para Juggler, el Juglar, de 1954, vendido também na Christie?s, em maio do ano passado, por US$ 713 mil.Apenas mais uma obra alcançou preço superior a um milhão de dólares nos três dias de vendas promovidas pelas duas casas. O autorretrato de Diego Rivera pintado em 1941 e conhecido como O Autorretrato Firestone, porque foi comissionado pelo engenheiro e colecionador americano Sigmund Firestone, estava avaliado entre US$ 1,2 milhão/US$ 1,8 milhão e foi vendido na Christie?s por US$ 1,022 milhão.Entre as obras de artistas brasileiros, o óleo sobre tela de Portinari Cangaceiro, para o qual a Sotheby?s previa lances entre US$ 80 mil e US$ 100 mil, foi adquirido por um colecionador brasileiro por US$ 314,5 mil. "O resultado foi espetacular", comemorou a chefe do Departamento de Arte Latino-Americana da Sotheby?s, Carmen Melián. Na Christie?s, onde foram oferecidos 26 lotes com obras de brasileiros, Composição Azul, um pequeno guache de 1956/57 de Willys de Castro estimado entre US$ 15 mil e US$ 20 mil, foi arrematado por US$ 47,5 mil. A melhor surpresa, segundo Virgilio Garza, chefe de arte latina da Christie?s, foram os recordes para trabalhos de Hélio Oiticica e Lygia Pape vendidos em leilão. Metaesquema 19 (1957-58) de Oiticica, para o qual se previa preço entre US$ 60 mil e US$ 80 mil, foi vendido por US$ 186,5 mil, e um relevo de madeira sem título criado por Lygia em 1954, com estimativa que ia de US$ 80 mil a US$ 120 mil, saiu por US$ 86,5 mil.

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