Brasileiros, só na mostra Panorama

Garapa, documentário de José Padilha, e Vingança, ficção de Paulo Pons, são os dois únicos filmes do País na seleção oficial

Luiz Carlos Mertem, O Estadao de S.Paulo

05 de fevereiro de 2009 | 00h00

Algumas das atrações anunciadas da Berlinale de 2009 estarão nas mostras paralelas, portanto, sem chances de ganhar o Urso de Ouro. Milk, de Gus Van Sant, com o candidato ao Oscar Sean Penn - e a exibição do filme deles será precedida, a título de homenagem, pelo documentário vencedor do prêmio da Academia de Hollywood The Times of Harvey Milk, de Robert Epstein; The Rise of Disaster Capitalism (o título promete duras críticas ao modelo de economia dominante), de Michael Winterbottom; e La Barbe Bleue, de Catherine Breillat, vão passar todos no Panorama, no qual também vão brilhar duas estrelas francesas. Julie Delpy dirige e interpreta La Comtesse, inspirado em episódios da vida da célebre condessa Bathory, aquela que se banhava com sangue de virgens; Isabelle Adjani faz a professora que transforma seus alunos em reféns em La Journée de la Jupe, de Jean-Paul Lilienfield. Panorama exibe os únicos filmes brasileiros da seleção oficial - o já citado Garapa, documentário de José Padilha, e a ficção Vingança, de Paulo Pons, que ganha essa chance internacional de projeção após passar sem brilho pelos festivais de Gramado e do Rio. Não será exagero imaginar que um eventual sucesso do filme de Pons em Berlim será a verdadeira vingança anunciada no título, mas é pouco provável que isso estimule a crítica a rever seus conceitos sobre a obra. Quem sabe? Em Cannes, há alguns anos, Tilda Swinton integrou o júri que deu a Palma de Ouro a Michael Moore, por Fahrenheit 9/11, uma decisão mais política do que estética, bancada pelo então presidente do júri, Quentin Tarantino. Quem assistiu à coletiva daquele júri certamente não guarda uma lembrança muito boa de Tilda, que mais parecia uma ?Tarantino?s girl?, defendendo a decisão de seu mestre. O que esperar do júri por ela presidido? Outra decisão política? Grandes diretores e diretores consagrados, premiados em festivais como Cannes, Veneza e até Berlim, estão de volta à liça, concorrendo ao Urso de Ouro. Stephen Frears, com Chéri, uma adaptação do romance de Colette, interpretada por Michelle Pfeiffer; In the Electric Mist, thriller norte-americano, filmado em Louisiana, de Bertrand Tavernier, com Tommy Lee Jones; e Mei Lanfang, de Chen Kaige.Se é política o que Tilda Swinton deseja, então, antecipadamente, pode-se dizer que um dos filmes mais aguardados - e com maiores chances de premiação - é London River, sobre os ataques do terror na capital inglesa, com direção de Rachid Bouchareb, a quem se deve o forte Indigènes, que no Brasil se chamou Dias de Glória, sobre jovens árabes que deram a vida pela França durante a 2ª Guerra, lutando por uma liberdade de que não dispunham em seus países de origem, na África colonizada por franceses. Pelo mesmo critério, as chances de Ricky parecem menores, mas quem garante? O novo François Ozon conta a história de um bebê que nasce com asas, e dotado da capacidade de voar. Filmes dos EUA (Happy Tears, de Michael Lichtenstein), da Dinamarca (Lille Soldat, de Annette K. Olsen), da Alemanha (Storm, de Hans Christian Schmid), da Suécia (Mamouth, de Lukas Moodysson) e da Inglaterra (Rage, de Sally Potter) são outros candidatos. A América Latina terá dois representantes na competição - o filme uruguaio Gigante, realizado pelo argentino Adrián Biniez; e La Teta Asustada, da cineasta peruana Claudia Llosa (em coprodução com a Espanha e a Alemanha). Entre os oito filmes fora de concurso, além dos de Tykwer e Costa-Gavras, estão também La Poussière du Temps, de Theo Angelopoulos; e The Reader, de Stephen Daldry. A Berlinale promete. O repórter viajou a convite da organização do festival

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