Brasil concorre ao Emmy, mas não leva nenhum

País esteve muito bem representado na festa do ?Oscar da TV?, em que a Inglaterra foi a mais premiada

Camila Viegas-Lee, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2008 | 00h00

O otimismo era grande entre os 27 brasileiros presentes no 36º Prêmio Emmy Internacional na noite de segunda-feira. Os favoritos eram Irene Ravache, com seus 43 anos de televisão, Pedro Cardoso, que interpreta Agostinho Carrara há 8 anos na série A Grande Família, e a novela Paraíso Tropical que estreava a nova categoria Telenovelas. Mas no final da cerimônia, o Brasil levou apenas um abraço do vencedor de minisséries da Argentina, Claudio Villarruel, que dedicou o prêmio ao povo argentino e aos indicados peruanos e brasileiros. "Quando anunciaram meu nome, achei que fosse um erro porque não falo inglês e não trabalho para a BBC ou Channel 4", brinca. "Na América Latina, não temos o mesmo orçamento das produtoras européias. Contamos apenas com a nossa criatividade." A barreira da língua e a diferença de orçamento foram os pontos mais citados para justificar o fato de a Inglaterra ter levado para casa sete dos dez prêmios oferecidos pelo Emmy. A sensação é que o júri, na maioria americano,inglês e alemão, fica com preguiça de ler legendas e acaba votando nos ingleses. ''Português é uma língua belíssima, mas fica isolada na própria América Latina. Estamos começando a conhecer mais a cultura latino-americana, se enxergar dentro dela, e o trabalho da HBO, que passa produções hispânicas ao lado de brasileiras, por exemplo, facilita essa integração", explica André Barros, co-diretor de Mandrake, que concorreu pela segunda vez na categoria de melhor série dramática. "A gente só gosta do código que conhece e o código da América Latina já está começando a ser apreciado em outros países. Um dia a gente ganha." José Henrique Fonseca, que também dirigiu Mandrake, além ter produzido e escrito a série, diz que o prêmio "tem um lado de concorrência desleal porque os orçamentos variam muito". O orçamento para cada capítulo de Mandrake é de cerca de R$ 900 mil enquanto Life on Mars, produzido para a BBC Wales, é de 800 mil pounds, quase R$ 3 milhões por episódio. A vencedora da categoria mostra as aventuras de um viajante do tempo que acaba ficando preso em 1973. ''Mas é isso aí mesmo, não estou choramingando não. O orçamento de Home Affairs, da África do Sul, é ainda menor que o do Brasil. O bacana é estar aqui'', diz. A atriz Malu Mader acabou sendo a única brasileira a subir ao palco. Ela apresentou o prêmio de entretenimento, sem roteiro, ao lado do modelo sueco Marcus Schenkenberg. "Eu estava um pouco nervosa, mas sou o que a Clarice Lispector chamava de tímida ousada." Ela estava torcendo para Irene Ravache com quem participou da novela Eterna Magia. Pedro Cardoso, ainda arisco com a imprensa desde seu manifesto contra a nudez no cinema nacional, concedeu uma entrevista breve dizendo que o Brasil precisa ficar conhecido no exterior por sua produção cultural. Para o diretor José Luiz Villamarim, Paraíso Tropical era um forte concorrente na categoria telenovela, "uma mega-produção que representava a sociedade atual". A Jordânia acabou levando o prêmio com uma produção de apenas 30 capítulos sobre a vida de um palestino durante a invasão dos israelenses em 2002.

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