Boa Companhia celebra 15 anos de palco

Grupo de Campinas exibe na cidade quatro espetáculos de seu repertório, entre eles, o imperdível Primus, baseado em Kafka

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

17 de novembro de 2007 | 00h00

Numa lista dos melhores espetáculos já realizados no Brasil, dificilmente ficaria de fora Primus - tanto pelos aspectos formais quanto pela potência crítica. Trata-se de criação da Boa Companhia, nascida na Universidade de Campinas, que comemora 15 anos de trajetória bem-sucedida - com prêmios conquistados no Brasil e no exterior - apresentando uma mostra no Centro Cultural São Paulo. Até 16 de dezembro, a sala Jardel Filho vai abrigar Primus, Esperando Godot, Galeria 17 e A Dama & Os Vagabundos.Dirigido por Verônica Fabrini, a primeira é a adaptação do conto Comunicado para uma Academia, de Franz Kafka. O tom sombrio e contundente do original literário em nada se dilui na transposição para a linguagem teatral, pelo contrário. O grupo define como ''''chamado selvagem'''' o grito de alerta desse conto que retrata com humor negro, criticamente, a ''''evolução'''' do ser humano a partir da história de um macaco que aprende a falar, mais que isso, aprende a agir e pensar como homem. O trabalho corporal dos atores beira o virtuosismo nesse trabalho. Quem viu pode rever, quem não viu tem agora nova oportunidade. Primus está em cartaz no Centro Cultural São Paulo, de terça a quinta, até o dia 16 de dezembro.Verônica Fabrini é também a diretora de Esperando Godot, de Samuel Beckett, em cartaz neste fim de semana. Vale ressaltar que o próprio grupo define como clássico moderno essa encenação, enquanto chama Primus de teatro físico e de teatro experimental contemporâneo a peça Galeria 17, que será mostrada pela primeira vez em São Paulo, depois de ter estreado no Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, onde dividiu opiniões.Apesar da famosa frase inicial de Esperando Godot , ''''nada a fazer'''', e de todas as análises em torno do niilismo desse texto, o grupo prefere valorizar em sua leitura os jogos lúdicos que os dois homens, Vladimir e Estragon, inventam para passar o tempo enquanto esperam o tal Godot, ou seja, se o sentido da existência é mistério, o que vale é a capacidade de criar e estabelecer relações afetivas no intervalo entre nascimento e morte. Afinal, na mesma peça, o opressor Pozo e o oprimido Lucky fazem curtas aparições para mostrar que há outras possibilidades, bem menos atraentes.Raros viram em São Paulo a comédia musical A Dama & Os Vagabundos que fez curta temporada no Teatro do Sesc Ipiranga. Tema sempre fecundo, a relação homem-mulher é explorada aqui com humor e muitas canções. Cantadas ridículas, o jogo de sedução e a dor-de-cotovelo são alguns dos clichês ''''revisitados'''' nesse espetáculo, que faz o público passar de uma cena de Romeu e Julieta a uma frase sarcástica de Nelson Rodrigues sem recuperar o fôlego. Nessa comédia, Moacir Ferraz e Verônica Fabrini dividem a concepção e a direção.Serviço Repertório Boa Companhia. 3ª a 5ª, 21 h, Primus. 6.ª e sáb., 21 h, dom., 20 h, Esperando Godot. 30/11 a 9/12, Galeria 17. De 14 a 16/12, A Dama e os Vagabundos. CCSP . R. Vergueiro, 1.000, tel. 3383-3400. R$ 15

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