Biscoito Fino lança série de livros bilíngues sobre choro

Selo produz métodos para iniciados no gênero instrumental

Lucas Nobile, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

Há oito anos no mercado fonográfico, a gravadora Biscoito Fino resolveu investir no segmento de partituras. O primeiro lançamento contempla os estudantes de música e admiradores de um dos gêneros mais ricos e populares do País, o choro. O projeto, que conta com métodos de ensino dos instrumentos, demorou quatro anos para ser finalizado, e chega às livrarias com o nome de Choro 100 - Play Along Choro. Isso mesmo, a coleção é bilíngue, em português e inglês, para apresentar aos estrangeiros de forma profunda a história do estilo brasileiro nascido no fim do século 19 com a flauta de Joaquim Callado. Ao todo, serão seis volumes, com prefácio de Hermínio Bello de Carvalho. Os dois iniciais (um de violão, escrito por Rogério Souza, e outro de pandeiro, com textos de Celsinho Silva) já estão à venda. Em abril, estarão disponíveis os de sopro e baixo, e em julho, bandolim e cavaquinho.Cada livro, além das partituras, detalha o uso do instrumento no choro, e vem acompanhado de um disco gravado pelo grupo Nó em Pingo d?Água, com participação do cavaquinista Jayme Vignoli. Composições de Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e Waldir Azevedo ganharam arranjos sóbrios e contidos para que o ouvinte possa acompanhar. Na apresentação, Hermínio escreve que, com os livros, o leitor pode passar a ser também executante daquela que ele classifica como "a melhor música popular do mundo". Lendo, parece fácil. Mas é bom explicar que o método foi feito para quem já sabe tocar. Para iniciados, não para iniciantes. "O Choro 100 trata mais da linguagem do estilo, não tem a intenção de ensinar o instrumento. O objetivo é conferir, a quem já toca, mais familiaridade com o chorinho", diz Rodrigo Lopes de Oliveira, produtor musical e um dos idealizadores do projeto.Considerando isso, entende-se que o CD foi gravado de forma bem didática. Em uma caixa de som, o ouvinte escuta apenas o instrumento daquele respectivo método. Na outra, o restante da banda, para poder tocar junto. No volume para os violonistas, por exemplo, o choro Sons de Carrilhões, de João Pernambuco, ganhou duas versões. Uma mais tradicional e simplificada, com o violão de seis cordas, e outra que ressalta as harmonias e as linhas de baixo feitas pelo 7 cordas. Seguindo a diretriz proposta pela coleção, de que para bons mestres melhores serão os discípulos, as esperanças são animadoras. Todos os arranjos para violão foram baseados nas gravações do Grupo Época de Ouro, e muitas das "baixarias" apresentadas são as originais pensadas pelos compositores ou por violinistas como Dino Sete Cordas, Carlinhos Leite e César Faria.Com as vendas dos dois primeiros volumes superando as expectativas, a gravadora já pensa em ampliar o projeto para outros gêneros, como jazz e bossa nova. Resta torcer para que a Biscoito Fino mergulhe de vez nesse mercado de livros e partituras, e dê continuidade ao trabalho iniciado no passado pelos Irmãos Vitale e por Almir Chediak.

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