Benjamin Bechet/The New York Times
Benjamin Bechet/The New York Times

Bilionário russo afirma que vai devolver duas obras de Picasso para enteada do artista

Ato de Dmitry Rybolovlev traz a público briga do empresário com negociador de peças de arte

The New York Times

24 Setembro 2015 | 10h56

O bilionário russo Dmitry E. Rybolovlev, proprietário de uma das mais valiosas coleções de arte do mundo, afirmou que está preparado para devolver duas obras de Picasso, avaliadas em US$ 30 milhões, à enteada do artista, Catherine Hutin-Blay - ambos retratos de sua mãe, a segunda mulher do espanhol, Jaqueline Roque, teriam sido roubados, ela afirma.

"Sinto solidariedade por ela, especialmente por causa de sua forte ligação com os retratos da mãe", disse Rybolovlev em entrevista concedida no último dia 18 em seu flat no Hermitage Hotel de Mônaco. Entretanto, a decisão do russo é mais do que um gesto cavalheiresco. O homem que vendeu para o bilionário as duas obras de Picasso, Yves Bouvier, é seu maior adversário no feudo do mundo da arte. A devolução torna pública a rixa dos colecionadores.

No ano passado, Rybolovlev e Bouvier enfrentaram-se em tribunais de Paris, Mônaco, Cingapura e Hong Kong. O russo acusou Bouvier, que o ajudou a realizar sua coleção, de fraude de mais de US$ 1 bilhão nas negociações de obras de arte. "Um filme poderia ser feito a partir dessa história", comentou Karen Boyer, conselheira de colecionadores baseada em Nova York.  

A briga começou quando Rybolovlev descobriu em uma viagem ao Caribe que desembolsou US$ 118 milhões por uma obra de Modigliani em uma venda mediada por Bouvier quando, na verdade, a peça havia sido negociada originalmente com seu proprietário, o herdeiro Steven A. Cohen por US$ 93,5 milhões.  

"É puro jogo midiático", afirmou Bouvier sobre o plano do russo, anunciado nesta quinta-feira, 24, em Paris, de devolver as obras de Picasso para Catherine Hutin-Blay. Rybolovlev estaria dando suporte para a enteada do artista, que já havia registrado queixa do roubo dos retratos. A polícia francesa investigava o caso.

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