Bienal não consegue encontrar presidente

Depois da desistência de Matarazzo, instituição vai consultar Ministério Público

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

28 de abril de 2009 | 00h00

Falta de tempo, em todos os sentidos, se tornou uma expressão-chave para a situação atual da Fundação Bienal de São Paulo. Ontem pela manhã, o secretário de Coordenação das Subprefeituras de São Paulo, Andrea Matarazzo, disse a Julio Landmann, conselheiro da Bienal, que a instituição "necessitava de uma dedicação full time", algo que ele não conseguiria oferecer, e por isso, decidiu não se candidatar ao cargo de presidente executivo da fundação. "Ele já me comunicou logo cedo que por razões pessoais e de agenda política não poderia aceitar o convite, mas, precisamente, porque a Bienal requer uma atenção especial baseada em sua situação anormal", diz Landmann, responsável por convidar Matarazzo - e antes dele, seis pessoas -, a se candidatar ao cargo. O presidente do Conselho de Administração da Fundação Bienal de São Paulo, Miguel Alves Pereira, e também o atual presidente executivo da instituição, Manoel Pires da Costa, conversaram ontem dom Matarazzo.O mandato de Pires da Costa (sua primeira gestão foi iniciada em 2002) terminou, oficialmente, pelo estatuto da Bienal de São Paulo, em 6 de fevereiro de 2009, mas até que se coloque um novo presidente ele está ainda à frente da instituição. Ontem, a auditora Deloitte Touche Tohmatsu entregaria à fundação o relatório final sobre o balanço das contas de 2008 da instituição - uma minuta foi entregue em 8 de abril, mas o conselho fiscal pediu revisão e notas explicativas. Espera-se, portanto, que as contas de 2008 sejam aprovadas para que, a partir disso, se faça uma reunião do conselho para eleição do presidente. O problema é que até agora não há um voluntário oficial para o cargo de presidente . "Há outra pessoa interessada, mas não posso divulgar", diz Landmann. "Temos apenas duas ou três semanas para ir atrás", continua. Dada a situação, inconcreta, Landmann sugeriu a Miguel Pereira que faça uma consulta técnica à curadoria de fundações do Ministério Público para ver o que se faz nesse momento em que a instituição está "acéfala"."A situação da Bienal só piora", afirma Pereira. "A única saída ao alcance legal seria eu assumir a presidência executiva, mas nem quero ter essa experiência." Além do problema da falta de candidatos, outro mais imediato é a representação nacional do Brasil na 53ª Bienal de Veneza (com os artistas Delson Uchôa e Luiz Braga, escolhidos pelo curador Ivo Mesquita), que será inaugurada em 7 de junho. O orçamento total da representação nacional em Veneza é de R$ 320 mil, mas só parte disso foi conseguido. "Seria um papelão o Brasil não participar", diz Landmann.

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