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Bienal de Veneza propõe viagem para ‘Todos os futuros do mundo’

Com abertura no sábado, 9, evento quer provocar uma reflexão sobre os problemas que afligem o mundo; veja galeria de imagens

Laura Serrano-Conde , EFE

08 de maio de 2015 | 13h27

VENEZA - A Bienal de Arte de Veneza apresentou os 89 pavilhões da 56ª edição desta mostra internacional que abrirá suas portas para o público no sábado, 9 de maio, e se encerrará no dia 22 de novembro.

Intitulada Todos os futuros do mundo, a Exposição Internacional de Arte 2015 é dirigida pelo crítico de arte nigeriano Okwui Enwezor e com a participação de 89 países, entre eles, Espanha, Brasil, Chile, Equador, Cuba, Peru, Argentina, México, Venezuela e Uruguai.

Trata-se de uma edição que pretende provocar no público uma reflexão sobre os problemas que afligem o mundo num momento da história que não é o mesmo em todas as partes, segundo as palavras do próprio Enwezor.

Como é habitual, esta grande mostra internacional de arte moderna foi instalada fundamentalmente nos complexos do Arsenal, do antigo estaleiro da cidade italiana, e dos Jardins venezianos. Mas, além disso, a Bienal conta com uma série de eventos paralelos: nesta edição, serão mais de 40.

O mundo caminha rumo a vários futuros diferentes, assim como são diferentes as propostas que levaram até Veneza os vários países participantes.

No caso da Espanha, um pavilhão que toma como ponto de partida a figura de Dalí para desenvolver outros três projetos, diferentes entre si, embora compartilhem de uma mesma origem daliniana, como explicou a EFE o comissário, Martí Manen.

Os artistas encarregados de representar a Espanha este ano são Francesc Ruiz, que leva para a Bienal dois quiosques com os quais convida a refletir sobre a “manipulação da informação” pela mídia, e também rememorar a popularidade do gênero do fumetto, erótico italiano, (quadrinhos dirigidos a um público homossexual nos anos 80).

Também Helena Cabello & Ana Carceller, que indagam por que razão identidades sexuais diferentes não são levadas em consideração na Europa do século 21; e Pero Salazar, que cria um espaço carregado de camadas e camadas de informação, saturado de conteúdos, cuja intenção é recriar a confusão que impera nas sociedades modernas.

O secretário de Estado da Cultura do Governo da Espanha, José María Lassalle, destacou a contemporaneidade de Dalí, e descreveu o pavilhão da Espanha na 56ª Bienal de Arte de Veneza como “uma experiência estética interessante”. “A presença espanhola na Bienal gira em torno do nosso pavilhão e de um projeto em que três grupos dialogam em torno de Dali e sua contemporaneidade”, disse Lassalle à EFE.

Por sua vez, a diretora de Relações Culturais e Científicas da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), Itziar Taboada, afirmou que, longe de ser um pavilhão sobre Dalí, este espaço é “uma reflexão artística que começa com uma série de características da figura de Dali”.

Também representando a Espanha, especificamente da Catalunha, o cineasta Albert Serra convida o público a refletir sobre a mudança cultural que estão vivendo as sociedades modernas, onde as máquinas têm uma relevância cada vez maior.

E o faz por meio de sua obra Catalunia in Venice. Singularity, composta de cinco telas audiovisuais, onde se desenvolvem várias histórias que recriam “como chegamos, qual foi o caminho percorrido, nos últimos tempos, para chegar à perda da centralidade do corpo como meio básico de relacionamento”, comentou.

Mais reivindicativa é a aposta do Chile, que comparece à Bienal com uma obra de duas artistas, Paz Errázuriz e Lotty Rosenfeld, na qual são criticados os excessos do capitalismo e é destacada a força dos protestos da população que desafiam a hegemonia do mercado.

Por sua vez, o México quis realizar uma trajetória através do significado dos edifícios nos quais expôs nas diferentes bienais do século 21, e, ao mesmo tempo, prestar uma homenagem à água.

A exposição mexicana intitula-se Possessing Nature e ficou a cargo dos artistas Tania Candiani e Luis Felipe Ortega, que construíram um “sistema de drenagem” que permite levar ao interior do seu pavilhão água da própria laguna veneziana, e posteriormente devolvê-la ao lugar ao qual pertence.

Finalmente, cansado do caos e do burburinho e dos ruídos das sociedades modernas, o uruguaio Marco Maggi optou por uma aposta valente, arriscada e muito original.

Seu pavilhão está aparentemente vazio, embora na realidade suas quatro paredes brancas escondam pequenos recortes, também brancos, que formam figuras, desenhos e estruturas complexas.

É uma analogia com o caos moderno, e sua intenção é levar tranquilidade e sossego a um público que recebe diariamente uma grande quantidade de informação.

Presença brasileira. A artista mineira Sonia Gomes (1948) é a única brasileira selecionada para a mostra principal da 56.ª Bienal de Veneza. Já o Pavilhão Brasil, representação nacional oficial na mostra produzida pela Fundação Bienal de São Paulo, vai apresentar as obras dos artistas Antonio Manuel, Berna Reale e André Komatsu. Os três foram selecionados pelos curadores brasileiros Luiz Camillo Osorio e Cauê Alves.

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA 

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