Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Bienal de São Paulo delega poder curatorial a sete artistas

Na 33.ª edição da mostra internacional, que começa em setembro do próximo ano, o curador espanhol Gabriel Pérez-Barreiro vai contar com a assistência de Waltercio Caldas e outros contemporâneos

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

31 Outubro 2017 | 14h12

Tomando emprestado o título de um romance de Goethe, Afinidades Eletivas, e da tese de doutorado do crítico Mário Pedrosa, sobre a natureza afetiva da forma na obra de arte, a 33.ª edição da Bienal de São Paulo, com abertura em setembro de 2018, vai se chamar Afinidades Afetivas. Curador da mostra, o espanhol Gabriel Pérez-Barreiro, muito afinado com o pensamento de Pedrosa (ele foi curador de uma exposição dedicada ao crítico no museu Reina Sofia), justificou o título da bienal como uma tentativa de dar “visibilidade a processos e afinidades, seguindo uma longa tradição de curadorias feitas por artistas”.

Pérez-Barreiro concedeu hoje (31) uma entrevista coletiva ao lado do presidente da Bienal, João Carlos Figueiredo Ferraz, anunciando o nome dos sete artistas que integram a equipe curatorial responsável pela seleção dos artistas participantes da 33.ª Bienal. São eles o uruguaio Alejandro Cesarco, o espanhol Antonio Ballester Moreno, a argentina Claudia Fontes, a sueca Mamma Anderson, os brasileiros Sofia Borges e Waltercio Caldas e a norte-americana (que vive em Lagos, Nigéria) Wura-Natasha Ogunji.

Nenhum nome entre os convidados da próxima Bienal de São Paulo foi divulgado durante o encontro, que serviu para revelar a proposta da mostra internacional, que questiona a centralidade do papel do curador na arte contemporânea, preferindo delegar aos artistas a escolha de seus pares. O curador Pérez-Barreiro, apesar de distribuir o poder de decisão sobre o time da 33.ª Bienal, vai escolher o próprio grupo de artistas para exposições individuais programadas paralelamente às sete exposições diferentes curadas pelos artistas convidados e anteriormente citados.

Segundo o presidente da Bienal de São Paulo, João Carlos Figueiredo Ferraz, que transita com facilidade no meio artístico, por ser colecionador e fundador do instituto que leva seu nome em Ribeirão Preto, o curador Pérez-Barreiro “traz um projeto com um novo modelo, com especial atenção na relação do público com a arte”. Especialista em arte latino-americana e curador-chefe da coleção Patricia Phelps de Cisneros, o espanhol também foi o fundador da coleção de arte latino-americana da Universidade de Essex nos anos 1990.

Ele não adiantou o nome de nenhum participante da próxima bienal, mas é possível esperar alguma mostra histórica de algum importante artista latino de tendência construtiva. Pérez-Barreiro criticou o modelo das bienais temáticas com um único curador, adotado pela maioria das duas centenas de mostras internacionais realizadas nos mesmos modelos da Bienal da Veneza e São Paulo que se espalham pelo mundo. Pérez-Barreiro propôs à direção da mostra paulista uma mudança no sistema organizacional “com ênfase na arte, nos artistas e na experimentação”.

Como tudo o que é experimental pode provocar atritos sociais, o curador e o presidente das Bienal deixaram claro durante a coletiva que irão defender a liberdade de expressão, sem anunciar se a Bienal vai ou não adotar a classificação etária em 2018, como fez o Masp em sua mostra Histórias da Sexualidade. “É impossível saber o que vai acontecer até setembro de 2018”, justificou o curador Pérez-Barreiro. A Bienal tem disponível para o biênio 2017/18 uma verba de R$ 60 milhões (90% já captados, segundo Figueiredo Ferraz). A 33.ª edição vai custar aproximadamente R$ 26 milhõees.

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