Bienal cresce para melhor receber o público

Com programação mais diversificada e a participação de 300 escritores, evento ganha atrações, como o Botequim Filosófico

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2012 | 00h00

Mais de 300 autores, 21 deles estrangeiros que assinam best-sellers planetários, mil e tantos lançamentos, 950 expositores, 55 mil m2, 133 sessões literárias, expectativa de 600 mil visitantes. Tudo tem dimensões gigantescas na Bienal Internacional do Livro carioca, que começa hoje, no Riocentro, e vai até o dia 23. Em sua 13ª edição, a feira, que bate seu recorde de escritores participantes (em 2005 foram em torno de 200), tem novos espaços, para maior participação do público.Quem já disputou assento nos bate-papos com escritores e debates de temas caros à literatura poderá agora discorrer sobre filosofia (no Botequim Filosófico, com curadoria da escritora Guiomar de Grammont) e emitir opiniões sobre questões da ordem do dia (na Esquina do Leitor). No Botequim, gente das letras, das artes e do jornalismo discutirá assuntos como a (suposta) morte da arte, o fim do mundo e o lugar do amor nesse mundo.Já na Esquina, todos terão chance de exprimir o que pensam sobre temas controversos: aborto, Deus, drogas. ''''Partimos do pressuposto que opinião se discute, sim'''', explica Rosa Maria Araújo, responsável pela programação cultural da bienal desde 1999. A votação é eletrônica, uma idéia tirada de uma livraria londrina.E as estrelas da bienal? Há para leitores de todos os gostos. Do fenômeno Markus Zusak, australiano que escreveu A Menina Que Roubava Livros e conquistou público de todo o mundo (mais de 150 mil volumes no País), ao americano Andrew Carroll, de Cartas do Front, que reúne relatos dramáticos de guerras diversas.Hoje, uma presença que deve atrair todas as atenções: o afegão Shah Muhammad Rais, o Sultan Khan de O Livreiro de Cabul, que vem desmentir cada palavra que a norueguesa Asne Seierstad digitou sobre ele e sua família - e, claro, divulgar seu livro Eu Sou o Livreiro de Cabul (será às 18 h).Sobre o Afeganistão, também falará Yasmina Khadra, argelino autor de As Andorinhas de Cabul. Ele lançará seu novo romance, As Sirenes de Bagdá (hoje, 15 h), e a cabeleireira norte-americana Deborah Rodriguez, que apresenta O Salão de Beleza de Cabul (amanhã, 16 h).Dos EUA chega Daniel Alarcón, de origem peruana e autor de Rádio Cidade Perdida, sobre amor e violência na América do Sul; da Colômbia, o jornalista Daniel Samper Pizano, de Impávido Colosso, ambientado no Brasil da ditadura militar. Alarcón fala da violência na literatura (dia 22, 19 h); Pizano participará do debate América Latina: Combates e Conquistas (hoje, 19h30): a bienal deste ano de Jogos Pan-Americanos homenageia a América.Ariano Suassuna (que deverá dar aula-espetáculo) e Gabriel García Márquez (ausência a ser muito sentida), octagenários este ano e em 2008, respectivamente, também receberão tributo.Entre os 280 literatos brasileiros que transitarão pelo Riocentro, estão presenças constantes (e esperadas), como Luis Fernando Verissimo, Zuenir Ventura e João Ubaldo Ribeiro; jovens promessas, como Mayra Dias Gomes (filha de Dias Gomes) e Daniel Galera (gaúcho da editora Livros do Mal). A feira não deixa de lado a poesia: 40 poetas marcarão presença no Jirau de Poesia.Rosa Maria Araújo acredita que a interação autor-leitor seja um dos motivos para que o público da bienal se amplie. ''''Aumentamos o número de autores, que era de apenas 60 em 99 e agora são 300, porque as sessões lotam mesmo. As pessoas querem ver os autores, que são quase popstars. O adolescente quer mais, quer dar um beijo'''', conta.Por falar no público teen, haverá mais uma vez um espaço só para temas da juventude. Point da bienal, a Arena Jovem, organizada pela escritora Suzana Vargas, reunirá figuras como o cantor Tico Santa Cruz e a atriz Pérola Faria para debater questões como maioridade penal e distúrbios alimentares. ''''O jovem brasileiro lê pouco. Se tentássemos chamá-lo apenas com o livro, talvez não fosse uma grande atração'''', justifica Suzana. ''''Percebemos que muitos anotam os nomes dos livros para depois comprar.''''Os números mostram que a estratégia vem dando certo. Em 2005, foi registrado aumento no número de pessoas entre 15 e 24 anos, que passaram a responder a quase metade do público total (45%). Cerca de 170 mil alunos de escolas deverão passear entre os livros. A bienal é realizada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livro e pela Fagga Eventos.NÚMEROS950 expositores estarão na Bienal320 autores participam da feira, entre nacionais e estrangeiros100 sessões literárias estão confirmadas

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