Bienal começa hoje e discute relações entre público e privado

Mostra analisa, entre outros temas, como se dá o desenvolvimento urbano; Niemeyer e Mendes da Rocha são homenageados

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

O tema da 7ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, que será inaugurada hoje, às 18 horas, para convidados, e amanhã para o público, é, como diz o coordenador da curadoria da mostra, José Magalhães Júnior, uma questão-chave para a arquitetura: a relação entre o público e o privado. ''''A Constituição de 1988 incluiu o direito de propriedade. Depois desse fato, colocou-se, entre tantas questões, algumas perguntas - Qual a função social da propriedade? Como se dá o desenvolvimento urbano?'''', afirma o curador. Para o presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) de São Paulo, Arnaldo Martino, desde o Renascimento essa questão é pensada - e uma das soluções foi a construção das praças que ligavam os prédios com uma grande área aberta pública (Piazza San Marco, por exemplo). ''''O marco, no Brasil, foi o prédio do Ministério da Educação e Saúde, no Rio (hoje, Palácio Gustavo Capanema) com os pilotis que permitiam a abertura para as pessoas transitar'''', diz Martino.O arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, que em 15 de dezembro vai completar 100 anos, esteve na equipe que projetou o Ministério da Educação. Niemeyer é, também, um dos grandes homenageados dessa 7ª Bienal de Arquitetura, realizada pelo IAB e pela Fundação Bienal de São Paulo. Um espaço será dedicado a ele no segundo piso do prédio - apresentando todo o seu projeto sobre o Parque do Ibirapuera - e a mostra Oscar Niemeyer Arquiteto, Brasileiro, Cidadão, organizada pelo Instituto Tomie Ohtake, já apresentada em Belo Horizonte e Curitiba e que perpassa sua carreira, está abrigada sob a marquise do parque (logo depois do MAM).O espaço da mostra de Niemeyer dentro do pavilhão apresenta toda sua concepção do complexo do Parque do Ibirapuera (projetado em 1951, inaugurado em 1954) por meio de desenhos, fotografias e textos pertencentes à biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. ''''Seu projeto original é diferente do que foi construído'''', diz o curador Magalhães. O IAB defende o ''''direito de autor'''' de Niemeyer, mas também não chega a comprar nenhuma briga em relação às polêmicas que envolvem a questão - por exemplo, a reformulação da marquise e o auditório que, no projeto original, ''''tinha outra escala e não era para ser um teatro'''', como diz Magalhães. ''''O auditório teria uma rampa'''', completa Martino. A mostra também faz paralelos históricos entre o Ibirapuera no passado e no presente e apresenta, inclusive, o novo e muito recente projeto de Niemeyer para a transformação do prédio do Detran (em frente ao parque) no Museu de Arte Contemporânea da USP.O outro homenageado pela 7ª Bienal de Arquitetura é Paulo Mendes da Rocha, que terá uma sala especial dedicada a ele também no segundo piso do pavilhão. O arquiteto, vencedor do importante Prêmio Pritzker no ano passado, escolheu exibir na mostra um projeto de 2003 para a implantação de um parque com ênfase, mais precisamente, para ser uma vila olímpica (é projeto de quando São Paulo se candidatou a sediar uma Olimpíada) numa área contínua entre o percurso dos rios Tietê e Pinheiros. ''''Ele está mostrando um desejo para a cidade São Paulo. É o único '''', diz Martino.Mesmo que o tema seja a relação entre o público e o privado, a apresentação de obras públicas é escassa nessa Bienal - enfim, acabam prevalecendo os projetos privados mesmo. ''''A quantidade de obras públicas apresentadas na Bienal é pequena justamente porque essa é uma área deprimida'''', diz Gilberto Belleza, presidente do IAB. Entre os destaques de obras públicas está, diz Magalhães, o projeto do grupo venezuelano Urban Think Tank para Caracas - a construção de um metrô aéreo para uma região de favela.A Bienal preza, na verdade, a diversidade. São 125 expositores entre 13 representações nacionais, salas especiais, arquitetos nacionais (Villanova Artigas, Benedito Lima de Toledo, Carlos Lemos, Paulo Henrique Paranhos, de Brasília, e Rubens Meister, do Paraná) e estrangeiros (o americano Steven Holl, o japonês Shuhei Endo e o espanhol Joan Busquets, responsável pela transformação de Barcelona nos anos 80), projetos do concurso de escolas de arquiteturas e espaços institucionais. A Bienal estava orçada em R$ 4 milhões, mas feita com a captação de ''''menos da metade'''' desses recursos, como diz Martino. A mostra ainda conta com um fórum de debates gratuito, entre amanhã e sábado, no auditório da Bienal - informações no site do IAB -, conferências e exibição de vídeos.

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