Bienal de S. Paulo
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Bienal anuncia 'Vento', sua primeira mostra presencial desde o início da pandemia

'Vamos ter, em Vento, uma alusão poética à situação que vivemos hoje', afirma o curador da Bienal, Jacopo Crivelli Visconti

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2020 | 05h00

A 34ª Bienal de São Paulo anunciou o nome de dez artistas que participarão da mostra Vento, primeira exposição presencial após a pandemia do coronavírus, a ser aberta no dia 14 de novembro. A exposição, que terá a participação de 21 artistas, destaca uma pintora veterana que foi a única aluna de Volpi, a alemã Eleonore Koch (1926-2018), que viveu em São Paulo por muitos anos e é um nome em ascensão meteórica no mercado depois do leilão organizado por James Lisboa após sua morte, que vendeu todos os lotes.

Entre os artistas estrangeiros que participam da mostra Vento estão a educadora e fotógrafa norte-americana Deana Lawson, a sérvia Ana Adamovic, que lida com questões como identidade e memória, a colombiana Gala Porras-Kim, que vive em Los Angeles, a belga Jacqueline Nova, o minimalista japonês Koki Tanaka, a artista conceitual portuguesa Luisa Cunha e o holandês Melvin Moti, que se dedica a associar processos científicos à cultura visual.

Entre os artistas brasileiros selecionados estão a paulistana Musa Michelle Mattiuzzi e o performer mineiro Paulo Nazareth. Além desses, participam da mostra Vento outros artistas cujos nomes foram anteriormente anunciados: o paraibano Antonio Dias (1944-2018), a paulistana Clara Ianni, a espanhola Edurne Rubio, o artista, escritor e produtor cultural indígena da etnia Makuxi Jaider Esbell, de Roraima, a veterana nova-iorquina Joan Jonas, o argentino León Ferrari (1920-2013), o sul-africano Neo Muyanga, a gaúcha Regina Silveira, que vive e trabalha em São Paulo, a peruana Ximena Garrido-Lecca e a japonesa Yuko Mohri, cujas instalações mecânicas usam utensílios domésticos.

A exposição Vento foi assim batizada em função de um filme homônimo realizado por Joan Jonas em 1968 – já outro filme (fora da programação) com título parecido, Uma História do Vento, dirigido pelo premiado Joris Ivens em 1988, tem um conceito que coincide com o da mostra na Bienal, o de fazer do vento um elemento alegórico que defina a vida de uma pessoa (no caso, a do próprio Ivens como artista, buscando uma resposta existencial na China). No filme de Joan Jonas, pessoas enfrentam o vento cortante numa praia de Long Island (NY) no inverno. Todos estão de máscaras e esboçam movimentos enigmáticos, antecipando simbolicamente a macabra coreografia da pandemia (o clima é de confronto com forças invisíveis).

Jonas foi pioneira na arte da performance (ela está com 84 anos) e evoca nesse experimental Vento (filmado em preto e branco e sem som) os movimentos e a precariedade dos tempos do cinema mudo. Muito do que se vê hoje em performance, videoarte e instalações começou com ela, cuja influência é marcante desde os anos 1960.

Não se conclua, porém, que esta será uma bienal de instalações. O curador geral da 34.ª Bienal, Jacopo Crivelli Visconti, exemplifica sua intenção – e a dos outros curadores – de fazer desta edição da mostra internacional uma elegia à diversidade. “Vamos ter, em Vento, uma alusão poética à situação que vivemos hoje, 21 artistas ocupando todo o pavilhão (30 mil metros quadrados), o que dá bastante espaço para cada um deles”, diz, citando a sala dedicada a Eleonore Koch, que terá 40 telas de várias épocas pintadas pela artista, dos parques londrinos noturnos às naturezas-mortas feitas com objetos de seu cotidiano, numa situação de semiconfinamento em sua casa.

“Escolhi o filme de Joan Jonas como referência porque o papel dos dançarinos no curta (pouco mais de 5 minutos) é tornar o vento visível”, explica. “Por vezes é necessário colocar algo no vazio para que ele revele o que não podemos tocar e que organiza a nossa vida, uma metáfora adequada nestes tempos de pandemia”, conclui Crivelli Visconti.

Ao contrário de edições anteriores, não haverá paredes no Pavilhão da Bienal separando os artistas, um convite ao visitante para fazer exercícios relacionais entre os vários artistas. Uma obra central que está em desenvolvimento desde o início do ano, quando a Bienal foi suspensa e transferida para setembro de 2021 por causa da pandemia, é a da peruana Ximena Garrido-Lecca, um jardim que cresceu nesse período de quarentena e isolamento e que agora recebe o público. “Ele traduz nosso desejo de ver a obra artística de modo diferente, sempre em transformação, porque tudo mudou ao redor desse trabalho nesse período crítico”, sintetiza o curador.

Durante o mês de novembro, continua a programação digital da 34.ª Bienal, como as visitas aos ateliês dos artistas, lives e performances (como a de

Paulo Nazareth, disponível no instagram). Até fevereiro de 2021, seis outros artistas agora anunciados integram as ações que dão continuidade à programação digital inédita: Jaune Quick-to-see, Lydia Ourahmane, Naomi Rincon Gallardo, Sebastián Calfuqueo Aliste, Sung Tieu e Uýra Sodoma. A programação e os participantes de março a agosto de 2021 serão divulgados oportunamente. O orçamento da Bienal é de R$ 30 milhões. A lotação máxima por causa da pandemia será de 600 pessoas.

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