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Biblioteca Nacional recupera mais uma obra furtada de seu acervo

A gravura 'A Glória tomada da estrada', que integra 'Rio de Janeiro Pitoresco (1842-1845), de Louis Buvelot, foi a 13ª obra devolvida pelo Itaú Cultural à Biblioteca Nacional

Redação, O Estado de S. Paulo

04 de novembro de 2019 | 09h02

A Biblioteca Nacional recebeu, na sexta-feira, 1.º, mais uma obra que havia sido furtada de seu acervo em 2005. A gravura Glória Tomada da Estrada integra a obra Rio de Janeiro Pitoresco (1842-1845), de Louis Buvelot, artista suíço que produziu importante documentação visual da paisagem carioca. Esta foi a 13.ª obra devolvida pelo Itaú Cultural à Biblioteca Nacional. No tatal, mais de 1.000 itens foram furtados dos acervos da instituição em 2005.

A estampa foi furtada da Divisão de Iconografia da Biblioteca Nacional, junto com outras três gravuras das 10 que compõem a obra: Largo de São Francisco de Paula, Convento de Santo Antonio, Nossa Senhora da Penha, Freguesia de Jacarepaguá. A primeira delas foi devolvida em novembro de 2018. As demais seguem na coleção do Itaú Cultural e aguardam análise de procedência e recibos de aquisição, que ainda estão sendo avaliados. No momento não se pode afirmar que pertençam à Biblioteca Nacional, mas como as características são as mesmas – compradas pelo Itaú no mesmo lote, lavadas e coloridas da mesma maneira – devem também pertencer ao acervo da instituição.

Segundo a Biblioteca Nacional, a gravura devolvida agora está completamente descaracterizada. O pigmento não é original e ela foi colorida a lápis. Ela será encaminhada ao departamento de preservação e recuperação da Biblioteca Nacional, para avaliação da possibilidade de retirada do colorido.

Relembre o caso da obras roubadas da Biblioteca Nacional

O imbróglio teve início quando Laéssio Oliveira, ladrão confesso, mandou, da prisão, no começo de 2018, uma carta a várias pessoas e instituições em que contava que as gravuras de Emil Bausch pertencentes à coleção do Itaú Cultural tinham sido roubadas por ele e vendidas ao colecionador Ruy Souza e Silva – que, por sua vez, as vendeu ao Itaú. Silva é ex-marido de Neca Setubal, herdeira do banco. Em março, uma perícia confirmou que as gravuras eram da Biblioteca Nacional. Em abril, as duas instituições assinaram um convênio para avaliar todas as obras sob suspeita.

Foram enviadas, ao todo, 102 obras em três lotes. De todo o lote, apenas 32 foram descartadas como não pertencentes à Biblioteca Nacional. O laudo foi inconclusivo para as demais, já que elas foram manipuladas.

Segundo a Biblioteca Nacional, ela foi vítima de dois grandes roubos em 2004 e 2005, enquanto era presidida pelo editor e colecionador Pedro Correa do Lago, que foi curador da coleção Brasiliana, do Itaú. Um inquérito foi instaurado pela Polícia Federal, que está ouvindo os envolvidos na história.

Depois da confissão de Laessio Oliveira, foi criado um grupo de trabalho entre Biblioteca Nacional e Itaú Cultural para exame e elaboração de laudos periciais de obras hoje integrantes do acervo do Itaú Cultural. O trabalho vem sendo coordenado pela Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, da Polícia Federal.

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