Bibliófilo escolhe os cem melhores livros da área

Seleção do inglês Jason Godfrey está no livro Bibliográfico

Antonio Gonçalves Filho, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

Com primeira edição lançada simultaneamente em todo o mundo, a Cosac Naify publica outro livro sobre a evolução da produção editorial, Bibliográfico: 100 livros clássicos sobre Design Gráfico (tradução de Cid Knipel, 224 págs., R$ 99). Escrito pelo designer e bibliófilo inglês Jason Godfrey, a edição é organizada em seis seções com mais de 600 ilustrações: Tipografia, Livros de Referência, Didáticos, Histórias, Antologias e Monografias. São mais de uma centena de títulos selecionados por Godfrey, de edições esgotadas a monografias recentes de conhecidos designers como Stefan Sagmeister e Peter Saville.

De certo modo, Bibliográfico complementa o trabalho de compilação feito por Philip B. Meggs em História do Design Gráfico. Alguns trabalhos comentados no primeiro ganham projeção no segundo, caso da poderosa imagem do pugilista Muhammad Ali registrada em 1968 pelo diretor de arte norte-americano George Lois. Nela, o lutador posa como um São Sebastião contemporâneo, simbolicamente flechado pela mídia (foto ao lado). Lois era o rei das capas da revista americana Esquire. No mesmo ano ele convenceu o ex-presidente Richard Nixon a se deixar fotografar, enquanto um batalhão de maquiadores passava batom e sabe-se lá mais o que em seu rosto. No livro de Godfrey, a produção da reportagem de Muhammad Ali para a Esquire é acompanhada da página dupla da revista. A foto está no livro The Art of Advertising, de 1977, uma das raridades de Bibliográfico.

O livro História do Design Gráfico ganha capítulo especial nesse livro de Godfrey, que presta tributo ao empenho com que Philip Meggs se dedicou à elaboração desse volumoso estudo. Meggs lecionava na Universidade de Richmond, em 1968, quando ficou claro para ele que seus alunos não conheciam nada sobre a história do design. Compilando os textos de suas conferências, o professor impressionou o mercado editorial, em 1983, ao apresentar um livro de abrangência ilimitada. Ou quase. Há apenas uma referência ao design brasileiro em sua obra, mas a diretora de arte Elaine Ramos promete corrigir essa lacuna brevemente. "No começo, planejamos agregar um encarte à edição de História do Design Gráfico, mas resolvemos ampliar o projeto e torná-lo independente". Resultado: em 2010 sai pela Cosac Naify uma história do design brasileiro com mais de 2 mil imagens.

O Brasil tampouco marca presença entre os 100 livros selecionados como modelos pelo inglês Godfrey, apesar dos reconhecidos méritos de nossos designers - especialmente após o advento da arte de tendência construtiva no País, isto é, na passagem da década de 1950 para 1960. É possível reconhecer uma ou outra influência assimilada pelos artistas brasileiros que tinham acesso na época a livros como Graphic Design Manual (1965) do suíço Armin Hofmann. Ele não só ditou regras para conterrâneos como arrebanhou um número expressivo de admiradores entre os artistas concretos e neoconcretos brasileiros. É possível identificar a marca da pureza formal de Hoffmann em obras de peso como a de Lothar Charoux (1912-1987) , Luís Sacilotto (1924-2003) e Willys de Castro (1926-1988). Nada mais justo: os livros de design, de modo geral, formam um olhar rigoroso.

A designer de livros Elaine Ramos, que já trabalhou em alguns clássicos da área publicados pela Cosac Naify, revela que sua educação visual se desenvolveu com a leitura (e a feitura) dessas obras. A editora tem apostado na produção de títulos sobre a tradição do país na área. Foram publicados livros de e sobre Alexandre Wollner e estudos sobre o design brasileiro da década de 1960. Agora chegou a vez dos anos 1950, que marcam a modernidade no Brasil. Quem organiza o livro é André Stolarski.

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