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Exposição 'Gurlitt : Status Report' no museu Bundeskunsthalle em Bonn, Alemanha Martin Meissner| AP

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Berlim devolve obras de arte roubadas pelos nazistas

Comprada por Hildebrand Gurlitt, coleção inclui telas de Renoir, Cézanne, Beckmann, Delacroix e Munch e está avaliada em vários milhões de dólares

AFP , Redação

Atualizado

Exposição 'Gurlitt : Status Report' no museu Bundeskunsthalle em Bonn, Alemanha Martin Meissner| AP

A Alemanha devolveu aos seus proprietários 14 obras de arte do colecionador Cornelius Gurlitt identificadas como roubadas de judeus durante o Terceiro Reich, anunciou o Ministério da Cultura.

Um desenho do poeta e pintor alemão Carl Spitzweg intitulado Das Klavierspiel foi enviado na terça-feira à casa de leilões Christie's a pedido dos herdeiros de Henri Hinrichsen, um editor de partituras musicais judeu assassinado em Auschwitz em 1942. 

A obra havia sido roubada pelos nazistas em 1939 e comprada no ano seguinte por Hildebrand Gurlitt, pai de Cornelius, próximo ao regime de Hitler.

Em 2012, durante uma operação, as autoridades descobriram a coleção de mais de 1.500 obras escondidas durante décadas por Cornelius Gurlitt.

Quatorze foram identificadas como roubadas de judeus, mas ainda existem dúvidas sobre a constituição desse tesouro.

O colecionador de arte germano-austríaco morreu em 2014. A coleção, que inclui telas de Renoir, Cézanne, Beckmann, Delacroix e Munch, está avaliada em vários milhões de dólares.

Após sua morte, Cornelius Gurlitt nomeou o Museu de Belas Artes (Kunstmuseum) de Berna, Suíça, como herdeiro de sua coleção, mas 500 peças de origem controversa estão preservadas na Alemanha.

 

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Acervo recuperado na Alemanha deve mudar a historiografia do século 20

É surpreendente que obras dessa qualidade e dimensão histórica tenham sobrevivido até nossos dias

Maria Hirszman - Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

08 de novembro de 2013 | 22h00

Impossível não se surpreender com a notícia, divulgada no último fim de semana, sobre o impressionante achado de 1.406 obras de arte num apartamento em um bairro nobre na cidade alemã de Munique. Tinham sido ocultadas na penumbra e disfarçadas por uma barreira de comidas enlatadas, muitas delas vencidas desde os anos 1980, por Cornelius Gurlitt, filho do marchand Hildebrand Gurlitt (1895-1956).

Antes de tudo é preciso sublinhar – e comemorar – o fato de obras dessa qualidade e dimensão histórica terem sobrevivido em tão boas condições até nossos dias. No entanto, junto à boa notícia, surgem inúmeros questionamentos. As surpresas se sobrepõem em cascatas: a quantidade e a qualidade de obras (seu valor é estimado em 1 bilhão de euros) é impressionante; o lote está intimamente ligado à terrível história de censura e espoliação perpetradas pelo regime nazista; e é chocante imaginar que tal tesouro tenha permanecido invisível das autoridades por tanto tempo, tendo sido descoberto de forma quase fortuita.

Para começar a vislumbrar as implicações dessa descoberta e seus desdobramentos, é preciso traçar um pequeno resumo cronológico, que se inicia nos anos 1930 do século passado, quando Hitler sobe ao poder. Dentre as inúmeras vítimas do regime, inclui-se a arte moderna, com especial desprezo pela arte expressionista, considerada portadora de valores antialemães e vinculadas ao judaísmo e bolchevismo. Em 1937, é realizada a exposição de Arte Degenerada em Munique, com centenas de obras vilipendiadas. Muitos trabalhos foram queimados, outros tantos negociados para ajudar a financiar o regime e muitos constam simplesmente como “desaparecidos”.

Outro efeito do espraiamento do nazismo pela Europa foi o confisco de coleções inteiras pertencentes a judeus ou sua venda por preços irrisórios pelos refugiados. Calcula-se que 21 mil obras tenham sido confiscadas, destruídas ou negociadas por eles.

O marchand Hildebrand Gurlitt desempenha um papel curioso nesse cenário. Neto de uma judia, tinha tudo para ser perseguido, mas acaba convocado por Goebbels para ajudar nesse processo de confisco e negociação das obras ditas degeneradas no exterior. Após o fim da Guerra, Gurlitt consegue se livrar das acusações que pesavam contra ele e consegue se restabelecer, alegando que sua coleção havia sido queimada durante o bombardeio a Dresden, em 1945.

Manteve-se ativo como galerista até morrer num acidente de avião, em 1956, e há inclusive cartas dele no acervo de Lasar Segall. Chegou a ter 139 obras confiscadas pelo exército americano de ocupação, que lhe foram devolvidas. Algumas estavam entre aquelas guardadas por seu filho no apartamento de Munique, e que foram descobertas no ano passado depois que uma investigação de rotina suspeitou de Cornelius Gurlitt quando este retornava da Suíça em 2010.

Este senhor, então com 78 anos, estava nervoso, não possuía documento de contribuinte nem registro. Era, segundo a matéria da revista Focus que divulgou a história, “um homem que não existia”, e vendia de vez em quando alguns desses trabalhos. O último, antes de seu apartamento ser investigado, em 2012, foi Lion Tamer, de Max Beckman, vendida por 864 mil euros por uma casa de leilões de Colônia.

A primeira pergunta que não quer calar é: como esse homem conseguiu esconder a si e às suas obras por tanto tempo, ainda mais fazendo retornar obras ao mercado de arte? A estratégia inicial dos investigadores alemães de manter a descoberta em sigilo foi duramente criticada, e chovem pedidos de divulgação da lista completa das obras, mesmo depois da promotoria ter afirmado que ela foi adotada exatamente para preservar o interesse dos proprietários. Uma dessas herdeiras é Anne Sinclair, apresentadora francesa de televisão e ex-mulher de Dominique Strauss-Kahn, político envolvido em escândalo sexual em 2011 em Nova York. Anne é neta do colecionador Paul Rosenberg.

Para Tadeu Chiarelli, diretor do Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC-USP), trata-se de um processo que deverá durar anos. “Creio que não teria cabimento o governo alemão jogá-las no mercado, pulverizando a importância global do que foi encontrado”, afirma. O que é certo é que tal descoberta implicará num esforço de pesquisa monumental, capaz de promover mudanças importantes na historiografia da arte do século 20. “Uma quantidade tão importante de obras de artistas significativos como esses com certeza poderá trazer novas análises interpretativas, colocando novos problemas para a história da arte”, conclui.

Segundo Vera d’Horta, pesquisadora do Museu Lasar Segall, a adoção de critérios transparentes e ações de cooperação internacional seriam extremamente benéficas. Ela lembra que no próprio Museu Lasar Segall há uma série de obras listadas que constam como paradeiro desconhecido, e essa descoberta pode ajudar a preencher muitas lacunas. Eternos Caminhantes (1919), do artista russo radicado no Brasil, foi reencontrada por um marchand e readquirida pela viúva do artista. O quadro estará exposto a partir de março de 2014 em uma grande exposição sobre arte degenerada, que agora adquire ainda maior relevância, na Neue Gallery de Nova York.

Exposições como essa demonstram a importância de tornar público esse patrimônio mundial. “Trata-se do direito à informação, de conhecimento de uma produção muito importante para a história da arte que, sem esses terríveis acontecimentos, estariam visíveis e disponíveis para o mundo inteiro”, afirma Vera. A pesquisadora lembra uma terrível e verdadeira frase contida em carta enviada por Otto Dix, autor de um autorretrato que é um dos destaques do espólio recém encontrado, a Segall: “Nossas obras foram parar nos porões. Espero que algum dia voltem à ver a luz”, escreve o artista, que talvez não imaginasse que esse tempo seria tão longo.

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Obras de arte confiscadas durante nazismo são expostas em museu da Suíça

Pinturas de Picasso e Matisse estão no acervo que estava em mãos do colecionador Hildebrand Gurlitt

Stephanie Nebehay, Reuters

02 de novembro de 2017 | 11h37

Cerca de 150 obras de arte de um grande acervo reunidas por um colecionador alemão durante a era nazista foram exibidas ao público pela primeira vez nesta quarta-feira na capital da Suíça em meio a dúvidas persistentes sobre as origens da coleção.

O colecionador de arte Hildebrand Gurlitt formou a coleção depois de ser recrutado pelos nazistas para vender peças da assim chamada arte moderna “degenerada” apreendida em museus da Alemanha.

Seu filho, Cornelius Gurlitt, herdou as obras e as manteve armazenadas em seu apartamento de Munique durante décadas.

O Museu de Arte de Berna ficou surpreso ao descobrir, em maio de 2014, um dia após a morte de Hildebrand, que havia sido nomeado como único herdeiro das 1.500 obras, que incluem pinturas de Pablo Picasso e Henri Matisse.

Sua exibição “Arte Degenerada - Confiscada e Vendida” é composta principalmente de desenhos, litogravuras e pinturas apreendidas pelos nazistas em museus e adquiridas por Gurlitt pai.

“Na maior parte sabemos exatamente quando as obras foram confiscadas, de qual museu alemão”, disse Nina Zimmer, diretora do Museu de Arte de Berna, à Reuters Television.

“Só aceitamos obras quando temos 100 por cento de certeza de que não foram pilhadas (de proprietários particulares)”, afirmou, acrescentando que outras 300 obras “degeneradas” estão aguardando esclarecimentos sobre sua propriedade em meio a pesquisas intensas.

Uma mostra separada de obras da coleção Gurlitt estreará na cidade alemã de Bonn na sexta-feira com o título “Arte Nazista Roubada e Suas Consequências”.

 

 

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Museu suíço publica lista de tesouros artísticos saqueados por nazistas

Um museu suíço publicou nesta quinta-feira uma lista com todas as obras de arte encontradas em posse de Cornelius Gurlitt, um alemão recluso cuja coleção secreta incluiu obras primas tomadas de seus proprietários judeus pelos nazistas.

Colecionador diz que 'ama' obras e as quer de volta

Na primeira manifestação após apreensão pela polícia, Cornelius Gurlitt nega crime e conta que ‘conversava’ com quadros

Associated Press

17 de novembro de 2013 | 22h07

O colecionador alemão Cornelius Gurlitt, que escondeu em sua casa um conjunto de cerca de 1.400 obras de arte, algumas delas possivelmente roubadas pelos nazistas, disse à revista alemã Der Spiegel que "ama" as peças e que as quer de volta.

Na primeira declaração desde que tornou-se pública a apreensão dos quadros pela polícia, há duas semanas, ele disse que quis proteger a coleção construída por seu pai, Hildebrand, um negociante de arte contratado pelos nazistas para vender obras das quais o governo de Hitler queria se livrar. As autoridades alemãs suspeitam que Gurlitt pai pode ter negociado obras roubadas de famílias judias - e isso pode levar a pedidos de restituição por parte dos donos originais.

Gurlitt disse que "todos precisam de algo para amar". "E eu não amo nada na vida mais do que meus quadros." Segundo ele, a morte de seus pais e de sua irmã foram menos dolorosas do que a perda das obras e desenhos de artistas como Picasso, Matisse e Max Liebermann.

O colecionador disse ainda que não vai "simplesmente entregar as obras". "Eu não vou falar com eles e me recuso a entregar o que quer que seja voluntariamente, não, não." Ele contou também que guardava as suas obras preferidas em uma pequena mala - e que, todas as noites, ele a abria e então passava horas admirando os quadros, com quem conversava.

A revista disse que um repórter passou vários dias entrevistando Gurlitt, durante viagens que ele fazia de sua casa em Munique a uma cidade próxima, onde era atendido por um médico. Segundo o jornalista, ele sofre de problemas cardíacos.

Ocasionalmente, ele vendia alguns quadros para conseguir dinheiro. A última vez teria sido em 2011, com O Domador de Leões, de Max Beckmann, por 725 mil euros. Segundo Gurlitt, ele ficou com 400 mil euros e o restante foi para a família de um colecionador judeu a quem o quadro já pertenceu. Herdeiros de diversas famílias já pronunciaram o interesse em reaver algumas das obras encontradas pela polícia. "Meu pai pode ter recebido uma obra de alguma família, é possível. Mas ele jamais teria roubado", disse Gurlitt.

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Acordo abre caminho para devolução de obras roubadas por nazistas

Equipe investigará a origem de 1,2 mil peças de arte, entre elas quadros de Matisse e Picasso

O Estado de S. Paulo,

08 de abril de 2014 | 11h02

BERLIM  -O governo da Alemanha anunciou na segunda-feira, 7, um acordo com Cornelius Gurlitt, filho de um negociante de arte da era nazista, que pode abrir caminho para a restituição de obras roubadas durante a Segunda Guerra Mundial de judeus perseguidos pelo regime de Adolf Hitler. Advogados de Gurlitt e autoridades do Estado da Bavaria concordaram que uma equipe internacional analisará as peças, apreendidas no apartamento dele, em 2012.

O acordo entrará em vigor assim que as obras forem liberadas pela polícia e se aplica à toda coleção de 1280 peças, com quadros de Matisse e Picasso e Guaguin, entre outros mestres da pintura. Elas foram apreendidas pela promotoria de Augsburg em uma investigação sobre evasão fiscal em novembro passado.

O porta-voz de Gurlitt, Stephan Holzinger diz que espera uma decisão rápida em razão do estado de saúde de seu cliente, que tem problemas cardíacos. "Estamos falando de uma equipe de elite e, dado o estado de saúde do senhor Gurlitt, espera-se que eles façam o trabalho dentro do prazo de um ano."

A ministra da Cultura da Alemanha, Monika Grütters, que tornou a resolução do impasse sobre a coleção prioridade no seu mandato, elogiou o acordo. Segundo ela, o pacto abre caminho para a criação de um centro independente de verificação para a retribuição de peças roubadas durante o nazismo. "Nossa experiência nesse caso influenciará o novo Centro de Arte Perdida", declarou.

O vice-presidente da Conferência Judaica Greg Schneirder teme que parte das obras sejam devolvidas à família de Gurlitt antes de serem completamente identificadas ao fim do prazo estipulado de um ano. "Devolver a coleção sem o fim da investigação seria um erro", disse. "Ou o governo se compromete a fazer o trabalho ao final do prazo, ou o estende." / NYT

 

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Museu suíço publica lista de tesouros artísticos saqueados por nazistas

Um museu suíço publicou nesta quinta-feira uma lista com todas as obras de arte encontradas em posse de Cornelius Gurlitt, um alemão recluso cuja coleção secreta incluiu obras primas tomadas de seus proprietários judeus pelos nazistas.

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