Belmonte será o homenageado em Tiradentes

Diretor brasiliense ganha retrospectiva em mostra que terá total de 121 filmes

Luiz Zanin Oricchio, O Estadao de S.Paulo

23 de janeiro de 2009 | 00h00

Em sua 12ª edição, o Festival de Tiradentes homenageia aquele que talvez seja o mais vigoroso dos cineastas da nova geração - José Eduardo Belmonte. É dele o filme que abre a mostra mineira hoje à noite no centro da cidade histórica - Se Nada Mais Der Certo, quarto longa-metragem desse cineasta nascido em São Paulo e criado em Brasília. Com esse filme, ainda inédito no circuito comercial, Belmonte ganhou a Première Brasil do Festival do Rio do ano passado. Serão também apresentados na Mostra de Tiradentes Subterrâneos e A Concepção, outros dois longas-metragens do diretor.A homenagem a Belmonte enquadra-se na tradição recente de Tiradentes. Ao invés de destacar medalhões, de carreira já consagrada, prefere-se apontar talentos emergentes. Ano passado, por exemplo, a homenageada foi a atriz Rosane Mulholland. É uma tendência de apontar para o futuro, preocupação da curadoria, a cargo do crítico Cléber Eduardo.O destaque a Belmonte é um dos aspectos da Mostra de Tiradentes. O outro é um recorte específico que a curadoria chamou de O Personagem e Seu Lugar, presente como temática central de filmes, debates e reflexão. Seria um investimento menos nas ideias abstratas (como foi nos anos 60 e 70) e mais nas "experiências diretas". Necessidade contemporânea de pôr em cena "gente de verdade" e "lugares reais". Essa seria uma tendência do cinema brasileiro contemporâneo, na verdade uma ideia a ser testada em um festival que se oferece como laboratório crítico.Será um eixo que pode orientar uma mostra que, a exemplo do que ocorre com quase todas as outras, começou pequena e cresceu. Nesta edição, que se estende de hoje a 31, serão exibidos nada menos que 121 filmes, sendo 28 de longa-metragem, 32 curtas e 61 curtas digitais. Essas obras são projetadas no Cine Tenda, montado a cada ano na cidade história, ou, ao vivo, em telão no Largo das Forras. A cidade não dispõe de cinema fixo. Além das exibições, Tiradentes apresenta o diferencial de debates públicos das obras apresentadas - a série Encontro com a Crítica, o Diretor e o Público discutirá 18 filmes da programação, com a mediação do cineasta Francisco César Filho.Mas, claro, o grande cartão de visitas de um festival são os filmes inéditos, aqueles que serão apresentados pela primeira vez tanto ao público como à crítica. E Tiradentes dispõe de alguns trunfos nesse quesito, o principal deles No Meu Lugar, estreia no longa-metragem do crítico Eduardo Valente, já premiado em Cannes com seu curta O Sol Alaranjado. As outras duas pré-estreias mundiais são A Fuga da Mulher Gorila, de Felipe Bragança e Marina Meliande, e A Casa de Sandro, de Gustavo Beck.No ano Brasil-França, Tiradentes traz ainda curadores de alguns dos principais festivais franceses - Olivier Père, diretor da Quinzena dos Realizadores de Cannes, Francis Saint-Dizier, vice-presidente das Rencontres Cinémas d?Amérique Latine de Toulouse, e Alain Jalladeau, diretor do Festival des Trois Continentes de Nantes.

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