Barbadas, zebras e uma ausência marcante

Dois filmes dominam a premiação e Gomorra deveria estar entre os indicados

Luiz Zanin Oricchio, O Estadao de S.Paulo

23 de janeiro de 2009 | 00h00

Alguns dados para reflexão sobre este Oscar 2009. Em termos de indicações, Benjamin Button sai na frente, concorrendo em 13 categorias. O favorito, segundo especialistas, Quem Quer Ser um Milionário?, fica um pouco atrás, com dez indicações. E um azarão, O Leitor, surpreende, sendo lembrado para nada menos do que cinco categorias. Outra coisa: Heath Ledger recebe indicação póstuma como coadjuvante, mas Batman - O Cavaleiro das Trevas fica de fora para a disputa do prêmio principal, o de melhor filme. Veja lista completa dos indicadosTudo por enquanto é meio chute. Afinal, os nomes estão aí e podem-se fazer algumas apostas, mas sempre existe margem para erro e algumas surpresas. Sabe-se que os cinco filmes concorrentes à estatueta principal (O Curioso Caso de Benjamin Button, Frost/Nixon, Milk, O Leitor e Quem Quer Ser um Milionário?) são de boa qualidade. Mas nem sempre, na projeção do prêmio, a qualidade é o fator indicativo mais forte sobre quem vai ganhar. O favorito parece ser mesmo Quem Quer Ser um Milionário?, de Danny Boyle, que estreia no Brasil dia 6 de março. Mas nada impede que a Academia se deixe seduzir por Benjamin Button, filme muito bem-feito, com aquela pegada melodramática que agrada demais a Hollywood. De qualquer forma, os dois filmes, inclusive pelo número de indicações, devem dominar a premiação em seu todo.Entre os indicados que poderíamos chamar de "periféricos", seria bom prestar atenção em O Lutador, de Darren Aronofsky, que nem está indicado como melhor diretor. Mas seu intérprete principal, Mickey Rourke, tem atuação comovente no papel de um praticante de luta livre doente e envelhecido. Ganhou o Globo de Ouro. E o filme venceu o prestigioso Festival de Veneza, se é que isso é tido como referência para Hollywood.Se o Globo de Ouro serve como indicação ("termômetro do Oscar", diz o clichê), Kate Winslet deve bisar seu prêmio pelo papel em O Leitor. Mas Anne Hathaway também tem ótimo desempenho como a garota instável em O Casamento de Rachel, e Angelina Jolie é marcante em A Troca, trabalho de mestre de Clint Eastwood. O fato é que a disputa pelo troféu de melhor atriz parece muito acirrada.Já o troféu de coadjuvante masculino parece contado para Heath Ledger, mas entre as mulheres a coisa é mais incerta. Não se pode esquecer de Marisa Tomei, também muito bem em O Lutador, no papel de uma garota de programa que se envolve com Rourke. Seria uma bonita solução se o par vencesse em suas respectivas categorias. Mas há também Penélope Cruz, como a geniosa pintora de Vicky, Cristina, Barcelona, de Woody Allen. Já disseram que Penélope encarna todos os estereótipos possíveis da espanhola de personalidade forte. Mas quem disse que Hollywood tem problemas com clichês?A festa deste ano fica com uma mancha - a exclusão de Gomorra, de Matteo Garrone, filme contundente e maravilhoso sobre a Máfia napolitana. Na categoria em que poderia ter entrado, a de filme estrangeiro, há um favorito, a animação israelense Valsa com Bashir, de Ari Folman. O filme é extraordinário e fala do massacre nos campos palestinos de Sabra e Chatila, pelo ponto de vista israelense. Ganha trágica força com o banho de sangue contemporâneo na Faixa de Gaza.

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