Banda revigora a velha alquimia

Apoiado por recursos técnicos, trio conseguiu mostrar mesma fleuma de um quarto de século atrás

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

10 de dezembro de 2007 | 00h00

No palco, os ingleses do Police mostraram que são o verdadeiro ''''white power'''' do rock. Branquelos e coroas, mas esbanjando tremenda forma física, o trio exibiu a fantástica alquimia que os tornou famosos, um cruzamento entre o pop, o rock, o dub, o reggae e o jazz. Com todas as vantagens técnicas e tecnológicas que surgiram no último meio quarto de século, tempo em que ficaram ausentes.Sting e Summers, na linha de frente, tratam de seduzir a turba, e até se aproximam um do outro às vezes, parecendo próximos de um armistício. Copeland, com o ventilador sempre balançando a cabeleira, os óculos de grau extremo deformando os olhos azuis, fica lá no fundo em seu mundo privado, plantando entre a bateria e uma eventual percussão.Sting está com a voz em forma (os técnicos a dobravam em certos momentos) e tocando seu baixo todo esfolado, muito velho, faz a cama para os solos de dois virtuosos que já viraram referência da música, os colegas Andy Summers (guitarra) e Stewart Copeland (guitarra). O baixista ocupa os espaços entre as ''''aulas'''' dos dois, e até arrisca um solo mais exuberantes no seu instrumento, como fez em Voices Inside My Head.O pedido que Sting fez para que a platéia participasse foi atendido em boa parte do repertório de 19 canções, um desfile invejável de hits - Message in a Bottle abriu, mas foi em Don''''t Stand so Close to Me que o coral gigante começou a ficar mais engajado. Há momentos em que alguns lado B do Police parece que vão soçobrar em chatice, mas logo surge outro hit para salvá-los.Durante a execução de Invisible Sun, um vídeo com imagens de crianças muito tristes, que progressivamente iam se alegrando, enchia o telão. Copeland tocou percussão e Sting tocou uma flauta andina em Walking in Your Footsteps. Um show para lavar a alma da multidão - mas de suor, não de chuva. Foi todo mundo para casa com um sorriso no rosto.PARALAMASUm ''''caco'''' de Herbert Vianna, dos Paralamas no meio da canção Óculos foi o único momento mais sério do show de abertura que o grupo fez para o Police, no Maracanã. Herbert trocou alguns versos para colocar a seguinte frase: ''''Em cima dessas rodas também bate um coração'''', chamando atenção para a questão dos deficientes físicos (ele se tornou paraplégico após acidente com um ultraleve).Os Paralamas estavam acesos, e fizeram grande abertura (nos outros países da América Latina, foi o americano Beck quem abriu), começando seu show pontualmente às 20 horas, com o Maracanã quase cheio. O clima era tão alto astral, pacífico, que aquela farra deve ter inspirado os Paralamas a tocar um trecho de uma canção de Raul Seixas, Sociedade Alternativa.''''Vamos lá, pessoal, para o Police nunca mais esquecer a energia brasileira, carioca'''', conclamou Vianna. Quando tocaram Vital e Sua Moto, ele também mudou alguns versos para encaixar a frase ''''os Paralamas do Sucesso vão tocar no maior do mundo, no Maraca''''. A banda foi ''''engrossada'''' pela guitarra de Andréas Kisser, do Sepultura, que tocou a partir da segunda música. O grupo tocou também Que Pais é Esse?, do Legião Urbana, e outras 14 canções. A última foi Lourinha Bombril, com a banda saindo debaixo de grande ovação.

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