Avô do rock gótico, Peter Murphy chega ao País

Líder do Bauhaus, ícone do pós-punk, ele faz show solo e promete surpresas

Entrevista com

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

27 de janeiro de 2009 | 00h00

Quem foi gótico nos anos 1980 sabe que duas músicas eram obrigatórias para os caras de preto da época: Love will tear us Apart, do Joy Division, e Bela Lugosi?s Dead, do Bauhaus.Pois bem: aquela voz tonitroante que cantava Bela Lugosi?s Dead, está chegando ao País pela primeira vez. Trata-se de Peter Murphy, o líder e vocal do Bauhaus, que toca com seu grupo no dia 14, no Via Funchal.Murphy pretende gravar um disco ao vivo na América do Sul, mas não no Brasil: será no Grand Rex Theater, em Buenos Aires, no dia 11. "É só por uma questão de praticidade. O nosso produtor pesquisou e o aluguel de estúdio e equipamento sairia mais em conta na Argentina. Queremos capturar o clima do final dessa turnê antes de eu começar a gravar meu novo disco", explicou Murphy, falando ao Estado por telefone, na sexta-feira.O cantor vive em Istambul, na Turquia, desde os anos 1980. Casou com uma coreógrafa turca que vivia em Londres e migrou. Tiveram dois filhos, uma garota que hoje está com 21 anos e um garoto de 17. Ele passou a simpatizar com o islamismo, com "o tesouro cultural" dessa religião e sua espiritualidade."Os islâmicos da Turquia não são como alguns outros. Não há gente lá jogando bombas, são pacíficos. Não vejo diferença entre católicos, muçulmanos, budistas: a mensagem é a mesma, é amar ao próximo. Me tornei próximo do islamismo, mas não vou sair por aí dizendo que tudo mudou em minha vida. Nada mudou. Você tem de ser você mesmo para ter fé".Em 1978, em Northampton, Daniel Ash, Murphy, David J. e Kevin Haskins fundaram o Bauhaus, batizado com o nome da comunidade alemã de vanguarda, e que influenciou barbaramente gerações inteiras de bandas. Em 1982, eles deram régua e compasso para o filme Fome de Viver (The Hunger), com David Bowie e Catherine Deneuve. Em 1983, separaram-se e Murphy começou a trilhar carreira solo. No ano passado, fizeram uma reunião e, em 18 dias, gravaram Go Away White, seu quinto álbum de estúdio.Os caras do rock industrial, como Trent Reznor, do Nine Inch Nails, o idolatram. "Quando um artista diz que o influenciei, é um grande elogio. É uma pessoa que apreciou e entendeu o som do Bauhaus. Não me sinto como um mestre. Minha lição é ser um gênio adorável e doce", brinca Murphy. "Não tenho intenção de vestir essa camisa de Messias do rock. Sou só um cara simples que faz música e se diverte, como uma criança". Ele conta que não quis ver o filme Control, de Anton Corbijn, sobre a banda Joy Division. "Anton tem uma boa compreensão da música dos anos 1970 e 1980, e também das classes operárias de Manchester. Mas não fico confortável com filmes de rock, não importa quão bem realizados sejam. Não vejo sentido em glorificar algo que é trágico, o suicídio de uma pessoa. Não quero que, quando eu morrer, as pessoas façam romarias até meu túmulo. É só uma pedra, não é saudável".

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